PARA SABER MAIS ...

"COELUROSAURICHNUS"

II

   

O icnogénero  Coelurosaurichnus foi criado por Huene em 1941 para pegadas tridáctilas com o dígito III bastante proeminente, encontradas no Verrucano da Toscânia (Itália), em sedimentos do Triássico final (Carniano), Coelurosaurichnus toscanus. Para além de Huene não ter fornecido uma diagnose precisa, Leonardi e Lockley (1995) referiram que o exemplar tipo apresenta uma preservação deficiente e que o esquema apresentado por Huene deveria ser corrigido. Estes investigadores consideraram que a pegada não apresenta detalhes significativos que mereçam a inclusão num novo icnotaxon; sugeriram também que a pegada deve ser incluída em Grallator; consequentemente, propuseram que Coelurosaurichnus deve ser abandonado, sendo apenas um sinónimo júnior de Grallator.

Leonardi (2000), para além de apresentar um novo esquema interpretativo da pegada que está na origem de Coelurosaurichnus, sugeriu que o exemplar deve ter afinidade teropode, mas não excluiu a possibilidade da pegada poder ser incluída no icnotaxon Atreipus, geralmente atribuído a ornitisquianos primitivos. Courel e Demathieu (2000) salientam também que "a grande semelhança morfológica entre Coelurosaurichnus Huene, 1941 e Atreipus Olsen e Baird, 1986 pode conduzir a inferir que estes dois nomes do icnogénero poderiam ser colocados em sinonomia, respeitando a regra da prioridade".

para sedimentos Triássicos da Alemanha foram incluídas 11 icnoespécies em Coelurosaurichnus, das quais Haubold (1971) considerou como válidas:

. C. shlauerbachensis  Weiss, 1943

. C. moeni  Beurlen, 1950

. C. kehli  Beurlen, 1950

. C. ziegelangerensis  Kuhn, 1958

. C. sassandorfensis  Kuhn, 1958

. C. kronbergeri  Rehnelt, 1959

. C. shlehenbergensis  Rehnelt, 1950

. C. metzneri  Heller, 1952

O material incluído em Coelurosaurichnus metzneri, com impressões de pés e de mãos, foi considerado por Olsen e Baird (1986) como representando uma nova icnoespécie de Atreipus, A. metzneri, icnotaxon atribuído a dinossáurios ornistiquianos.

Coelurosaurichnus ziegelangerensis (escala: 1 cm) (retirado de Kuhn 1958).

Coelurosaurichnus kehli (escala: 1 cm) (retirado de Kuhn 1958).

Coelurosaurichnus sassandorfensis (escala: 1 cm) (retirado de Kuhn 1958).  

Coelurosaurichnus moeni (escala: 1 cm) (retirado de Kuhn 1958).  

Em França, há pelo menos três representantes deste icnogénero:

. C. perriauxi  Demathieu e Gand, 1972

. C. largentierensis  Courel e Demathieu, 1976

. C. grancieri  Courel e Demathieu, 2000  

 

 

 

Demathieu (1985) forneceu uma diagnose breve de Coelurosaurichnus: nas pegadas tridáctilas correspondentes aos pés o dígito III é o mais longo, seguido pelo IV e pelo II; estes dígitos "são relativamente grossos"; as pistas são bípedes, raramente quadrúpedes, com ângulo de passo entre 170 - 180º; as impressões das "mãos são tetradáctilas".  

 

Coelurosaurichnus perriauxi foi instituído por Demathieu e Gand (1972) para uma amostra de pegadas tridáctilas do Ladiniano da Borgonha (França). A reanálise desta amostra permitiu a Demathieu e Gand (1981) verificar que duas das pegadas de pés estão associadas com impressões de mãos.

Demathieu e Gand (1986) descreveram também pegadas tridáctilas do  Triássico médio (Anisiano - Ladiniano) da jazida de Saint- Verand (Sâone-et-Loire, França) que incluíram em Coelurosaurichnus cf. perriauxi.

 

Coelurosaurichnus perriauxi (escala: 5 cm) (retirado de Demathieu e Gand (1981) Coelurosaurichnus cf. perriauxi (escala: 5 cm) (modificado de Demathieu e Gand 1986).

Courel e Demathieu (1976) instituíram a icnoespécie Coelurosaurichnus largentierensis para incluir uma amostra de pegadas tridáctilas proveniente do Triássico médio (Anisiano final - Ladiniano) da jazida de Largentière (Ardèche, França).

Esquema de pegada correspondendo ao pé direito de Coelurosaurichnus largentierensis (escala: 5 cm) (retirado de Demathieu 1985).

 

 

Courel e Demathieu (2000), para uma amostra de 35 pegadas, integrando 5 pistas e incluindo 4 pares mão - pé, do Triássico final (Carniano basal) de Ardèche (França), criaram uma nova icnoespécie, Coelurosaurichnus grancieri, que atribuíram a um teropode, com "membros posteriores longos", o mesmo acontecendo com os membros anteriores, de onde resulta uma progressão quadrúpede ocasional. Segundo estes investigadores, as impressões das mãos, tridáctilas, mas "mostrando que os dígitos impressos não parecem ser sempre os mesmos: II, III e IV e I, II e III", distinguem-se das três icnoespécies de Atreipus com mão igualmente tridáctila porque estas últimas "apresentam os dígitos muito menos divergentes" do que em C. grancieri. As pegadas tridáctilas correspondentes às impressões dos pés, com comprimento não ultrapassando os 14 cm, apresentam um ângulo de divergência total II - IV bastante baixo (entre 24 e 34º), "que lembra os valores médios encontrados para o icnogénero Grallator".  

Mais recentemente, Gand et al. (2005) foram mais prudentes, quando sugeriram que os produtores de Coelurosaurichnus grancieri teriam sido "répteis carnívoros. Inferimos que os seus autores eram répteis de membros longos, bípedes-quadrúpedes, com comprimento entre 1 - 2 m. Pode ser que fossem apenas Dinosauromorpha ou já teropodes Dinosauria".

Esquema de impressões de pés e de pares mão-pé Coelurosaurichnus grancieri (escala: 5 cm). A heteropodia aproxima-se de 1 / 4 (retirado de Courel e Demathieu 2000).

Esquema de pistas Coelurosaurichnus grancieri (escala: 5 cm). O ângulo de passo aproxima-se dos 170º, com as impressões tridáctilas dos pés com ligeira rotação para o interior da linha média da pista (5 a 10º). A relação entre passada e comprimento médio das pegadas varia entre 9,8 e 11 (retirado de Courel e Demathieu 2000).

 

Demathieu e Oosterink (1988) descreveram uma icnofauna do Triássico médio de Winterswijk (Holanda) que inclui uma nova icnoespécie, Coelurosaurichnus ratumensis, cujo material é formado por 5 impressões de mãos e 4 impressões parciais de pés. Os pés são tentativamente identificados como funcionalmente tridáctilos, já que nunca surgem totalmente impressos. Para a instituição de uma nova icnoespécie, estes investigadores baseiam-se na mão pentadáctila e, proporcionalmente, de grandes dimensões (heteropodia inferida é praticamente nula). Sugerem que o autor terá sido um "dinossáurio primitivo Triássico ainda desconhecido".

Esquema de mão direita (cima) e de mão direita e pé direito, parcial (baixo) (escala: 5 cm) (retirado de Demathieu e Oosterink 1988).

Esquema de par parcial mão-pé (cima) e de mão direita e pé direito, parcial (baixo) (escala: 5 cm) (retirado de Demathieu e Oosterink 1988).

 

Sarjeant (1967) sugeriu também a presença de Coelurosaurichnus para o Triássico inferior de Worcestershire (Inglaterra) e para o Triássico médio de Nottingham (Inglaterra), atribuindo este icnogénero a um teropode e sugerindo, consequentemente, uma origem de Dinosauria para o Triássico inferior.

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"COELUROSAURICHNUS" NO TRIÁSSICO INFERIOR ?