PARA SABER MAIS ...

CRESCIMENTO ALOMÉTRICO 1

   

As palavras simples "dimensão" e "forma", no contexto da evolução do desenvolvimento, passam a ser muito complexas. Um padrão paleontológico geral é a «regra de Cope», segundo a qual as dimensões corporais de espécies pertencentes a uma linhagem tendem a tornar-se maiores ao longo do tempo. E o que acontece quando os animais se tornam maiores? Em muitos casos, as várias partes do corpo não crescem com a mesma taxa, e estamos perante ALOMETRIA.  

 

O que é o crescimento ? A forma e as dimensões do corpo  alteram-se / transformam-se à medida que os animais crescem, numa ou mais dimensões, e estas transformações são «dirigidas» por algumas regras, já que o esqueleto deve crescer de forma a suportar o enorme aumento de peso (o peso aumenta ao cubo) e a sua redistribuição. Mas o esqueleto só pode crescer em comprimento e em largura (=circunferência). Isto implica que o seu crescimento se realiza a uma taxa inferior à dos músculos, pele e os diversos tipos de integumentos. O crescimento dos ossos em relação às dimensões lineares - comprimento e largura - é óbvio. Mas inclui também alterações, menos evidentes, nas proporções e na morfologia (e até na organização microscópica celular e vascular). "Este tipo de crescimento altera a forma de um osso a taxas diferentes em dimensões múltiplas e é chamado de «alometria»" (Rogers 2000). O crescimento alométrico ocorre na grande maioria dos vertebrados e em que o crescimento é quase sempre deste tipo. Tal como, por exemplo, na nossa espécie, nos cães, e em algumas aves, o crescimento alométrico pode ser encontrado nas diferentes proporções do crânio relativamente ao restante esqueleto à medida que os indivíduos crescem. Muito mais raro nos vertebrados, é o crescimento isométrico, que ocorre quando todas as partes do esqueleto se transformam / alteram na mesma taxa, de forma que a forma dos vários ossos permanece estável durante a ontogenia.

 

O crescimento alométrico refere-se a taxas diferenciais de crescimento de duas características mesuráveis de um organismo (muitas vezes descrito como alterações / transformações da morfologia correlacionadas com a dimensão). É quantificado como

Y = b x a

em que x é a medida de uma característica

b é uma constante

a é o coeficiente alométrico

   y é a outra característica  

 

Nesta forma descreve uma interrelação logaritmítica. Pode tornar-se numa relação linear relacionando os logs dos valores medidos para cada característica:

Log y = log b + a log x

Esta é a equação para uma linha recta, sendo a a inclinação desta linha.

Quando a é inferior a 1, temos alometria negativa, significando que à medida que x se torna maior, y também se torna maior mas a uma taxa mais reduzida.

Quando a é superior a 1, temos alometria positiva, significando que quando x se torna maior, y torna-se ainda maior, já que a taxa de crescimento desta característica é superior.

Quando a = 1, temos ISOMETRIA ou crescimento isométrico, implicando que não há alteração na morfologia (ou seja, das dimensões relativas das várias partes do corpo) durante o crescimento.

Podemos descrever diferentes tipos de alometria:

1.      alometria interespecífica, em que características de indivíduos da mesma idade (geralmente adultos) são comparadas entre espécies diferentes.

2.      alometria intraespecífica, em que

a.      . as características de indivíduos de todas as idades são comparadas para uma espécie (também chamada alometria ontogenética)

b.      . ou características de indivíduos da mesma idade são comparadas dentro de uma espécie (também chamada alometria estática).  

Para os dinossáurios teropodes são conhecidas algumas séries de crescimento parciais, incluindo os teropodes Coelophysis, Syntarsus, Allosaurus. Muitas das tendências de crescimento dos dinossáurios são ontogenéticas, incluindo aumento do número de dentes, maiores áreas para inserção de músculos, proporções de membros mais robustos (Varricchio 1997). Mas algumas destas tendências apresentam  variabilidade entre as diferentes espécies. Por exemplo, para os teropodes, e ao contrário dos ornistiquianos, o número de dentes praticamente não se altera e, para alguns taxa, os ossos dos membros tornam-se menos robustos com a idade.  

 

São poucos os estudos referentes ao crescimento de teropodes - a principal razão reside na falta de séries ontogenéticas para a maioria das espécies. Alguns exemplos. Na ontogenia dos ornitomimídeos, Osmolska et al. 1972, Russell 1972 e Nicholls e Russell 1981 sugeriram que as proporções dos membros não sofrem praticamente alteração. Mas para o ornitomimídeo Sinornithomimus dongi, conhecido através de 14 esqueletos representando indivíduos com distintas dimensões / idades, Kobayashi e Lu (2003) verificaram que a razão entre os comprimentos do úmero e fémur é superior para os animais de maiores dimensões, indicando "o alongamento relativo do membro anterior ao longo da ontogenia". Currie (1998) comparou os comprimentos dos elementos do membro posterior em tyrannossaurídeos e ornitomimídeos. Os resultados obtidos sugeriram que os indivíduos mais jovens, em ambos os grupos, apresentam tíbia proporcionalmente mais longa que o fémur. Currie (1998) concluiu que os juvenis tyrannossaurídeos e ornitomimídeos apresentam maior capacidade cursorial do que os animais mais velhos. Mas os resultados obtidos por Kobayashi e Lu (2003) para o ornitomimídeo  Sinornithomimus indicam a situação oposta - a relação entre os comprimentos da tíbia e fémur aumenta nos indivíduos de maiores dimensões, sugerindo que "os ornitomimídeos adultos podem ter estado melhor adaptados para corrida rápida do que os juvenis".

 

PARA SABER MAIS ...

CRESCIMENTO ALOMÉTRICO PARA TEROPODES, INFERIDO A PARTIR DO SEU REGISTO OSTEOLÓGICO