PARA SABER MAIS ...

O CRESCIMENTO DE TYRANNOSAURUS REX E DE OUTROS TYRANNOSSAURÍDEOS

   

Dois estudos separados e utilizando técnicas independentes, publicados em 2004 e quase simultaneamente, chegaram a resultados muito similares relativamente à dinâmica do crescimento do teropode Tyrannosaurus rex.

 

Por outro lado, também em 2004, surgiu a descrição de um novo taxon do Cretácico inferior de Liaoning, China, classificado como um tyrannossauroide, um antepassado primitivo do enorme predador do Cretácico final. Este taxon, de que se conhecem 4 exemplares descobertos em 2001 (um dos quais poderá representar uma segunda espécie), e que recebeu o nome de Dilong paradoxus, apresenta uma particularidade, que vários investigadores suspeitavam / previam para esta linhagem, baseando-se no Enquadramento Filogenético Vivo (BFE): a ocorrência de proto-penas cobrindo pelo menos parte do corpo.

 

PARA SABER MAIS ...

INTERRELAÇÕES ENTRE THEROPODA

 

Horner e Padian (2004), através de análise histológica desenvolvida em ossos de 7 indivíduos Tyrannosaurus rex de diferentes dimensões, concluíram que:

. a taxa de crescimento era rápida, semelhante à dos elefantes actuais (com peso e «timing» de maturidade idêntico), com os adultos atingindo essas dimensões em menos de 20 anos

. os exemplares mais velhos teriam cerca de 25 anos

. as formas mais robustas e de maiores dimensões nem sempre correspondem aos indivíduos mais velhos.

 

Erickson et al. (2004) analisaram os padrões de crescimento em Tyrannosauridae, já que actualmente o número de exemplares relativamente completos, representando vários estádios de crescimento, é muito superior, tendo em conta as descobertas mais recentes. "As análises preliminares revelaram que vários ossos não essenciais para o suporte do peso (por exemplo, pubis, fíbula, costelas, gastralia, pós-orbitais) não desenvolveram cavidades medulares ocas e mostram uma remodelação intracortical neglegenciável durante toda a sua história de vida. Tal como os principais ossos longos, estes elementos são seguros para inferir a longevidade em répteis actuais e portanto fornecem um método alternativo fiável para a determinação da idade de morte de répteis extintos, como os tyrannossaurídeos". 

http://www.paleontologia-hispana.com/noticias/index.php?subaction=showfull&id=

1092311566&archive=&cnshow=news&start_from=&ucat=6&number=7&number=7&number=7

 

Estes investigadores analisaram assim vários ossos amedulares de representantes adolescentes, juvenis, sub-adultos e adultos dos tyrannossaurídeos Tyrannosaurus rex, Albertosaurus sarcophagus, Gorgosaurus libratus e Daspletosaurus torosus. A longevidade para cada um dos 20 exemplares examinados foi inferida a partir da contagem dos anéis observados nas secções histológicas. Para estimarem o peso dos indivíduos, Erickson et al. (2004) utilizaram a medida do diâmetro do fémur (Anderson et al. 1985). Comparando a longevidade e a dimensão, foi obtida uma regressão, a partir da qual surgiram as "primeiras curvas de crescimento empíricas para os tyrannossaurídeos". "Foram comparadas a duração e o timing dos vários estádios de desenvolvimento e as taxas máximas de crescimento para cada taxon".

http://www.paleontologia-hispana.com/noticias/pdf/Erickson_etal2004.pdf

Número de linhas de crescimento em tyrannossaurídeos  (perónio de Gorgosaurus - A; e costela de Tyrannosaurus - C) e num réptil actual (Alligator mississippiensis) com idade conhecida (B).

 

http://www.paleontologia-hispana.com/noticias/pdf/Erickson_etal2004.pdf

Curvas de crescimento para Tyrannosaurus e três outros tyrannossaurídeos. Os estádios exponenciais (zonas de inclinação máxima) têm uma duração idêntica mas diferem na inclinação.

Todos os vertebrados apresentam um padrão de crescimento logístico (em forma de S) durante o desenvolvimento pós-eclosão. Erickson et al. (2004) utilizam a seguinte terminologia:

.  a fase inicial de crescimento lento é referida como estádio retardado e os animais são considerados adolescentes

. segue-se um estádio de crescimento exponencial, com a curva com a inclinação máxima, correspondendo à taxa de crescimento máxima - os animais que estão em transição para este estádio são considerados como juvenis e os que estão já no estádio exponencial são referidos como adultos jovens ou sub-adultos

. os indivíduos que estão no estádio estacionário são considerados como adultos senescentes

O estádio adulto refere-se ao desencadear da maturidade somática quando a dimensão adulta é atingida pela primeira vez.

Não se sabe quando é que ocorreria a maturidade sexual para dinossáurios não avianos, já que o género não está estabelecido com segurança para qualquer taxon.

 

Os resultados do estudo de Erickson et al. (2004) sugerem que:

. Tyrannosaurus. rex alcançava a maturidade sexual em cerca de 20 anos (a transição para a maturidade somática parece ter começado por volta dos 18,5 anos)

. a sua longevidade máxima aproxima-se dos 28 anos

. a taxa de crescimento máxima implicava um aumento de peso de 2,1 kg por dia e esta taxa era mantida ao longo de 4 anos

. as estimativas de longevidade para os outros taxa tyrannossaurídeos variam entre 2 e 24 anos

. nestes taxa a maturidade somática seria alcançada entre os 14 e os 16 anos

. a taxa máxima de crescimento para estes taxa varia entre 0,31 e 0,48 kg / dia e também seria mantida por um período de cerca de 4 anos

 

Durante o período de 4 anos («adolescência», entre os 14 e os 18 anos) em que o crescimento por dia rondava os 2,1 kg, um Tyrannosaurus rex aumentava o peso em cerca de 3000 kg. Quase 70% do peso quando adulto. Um T. rex, quando comparado com os seus «primos afastados» crescia cerca de 4 vezes mais no mesmo intervalo de tempo, o que, aparentemente, explica o seu gigantismo quando comparado com o dos outros tyrannossaurídeos. "T . rex terá adquirido a maior parte das suas proporções gigantescas depois de ter divergido do seu próprio antepassado e de Daspletosaurus torosus, uma espécie cujo peso adulto rondaria os 1800 kg. A comparação directa entre as curvas de crescimento dos tyrannossaurídeos mostra que a transição para as fases de desenvolvimento exponencial e estacionário ocorria cerca de 2 - 4 anos mais tarde em T. rex. Contudo, este deslocamento pós-temporal terá pouco a ver com a evolução do seu gigantismo porque  o estádio exponencial, durante o qual a maior parte das grandes dimensões era alcançada, não se prolongava para além da condição ancestral de 4 anos observada nos outros tyrannossaurídeos. Pelo contrário, a modificação desenvolvimental chave que levou T. rex a proporções gigantescas ocorreu primariamente através de aceleração evolucionária na taxa de crescimento exponencial e nas regiões de transição que a limitavam".

Erickson et al. (2004) sugerem que uma aceleração de 1,5 vezes na taxa máxima de crescimento poderá diagnosticar Tyrannosaurinae, o clade que incluiu Daspletosaurus e Tyrannosaurus. Um segundo aumento substancial na taxa de crescimento poderá constituir uma autapomorfia fisiológica de Tyrannosaurus.

 

Este estudo levanta também questões interessantes. Por exemplo, será que o gigantismo alcançado noutros clades de dinossáurios será também devido ao mesmo padrão de crescimento acelerado ?

Algumas outras inferências que o estudo de Erickson et al. (2004) permite:

. A presença de linhas de crescimento finas e muito agrupadas observadas nos ossos dos indivíduos adultos mostra que estes animais, e quase todos (senão todos) os dinossáurios, apresentavam um crescimento determinado (Chinsamy 1993; Erickson et al. 2001). Passariam quase 30% das suas vidas no estádio adulto. "Para além disso, as taxas máximas de crescimento para estas espécies de tyrannossaurídeos são apenas 33 - 52% das taxas esperadas para dinossáurios não avianos da sua dimensão quando comparadas com os dados de amostras mais amplas obtidos por Erickson et al. (2001). Isto fornece a primeira evidência do seu tipo sugerindo grandes diferenças nas taxas globais de crescimento corporal entre um sub-clade de dinossáurios não avianos".

. Os resultados obtidos por Hutchinson e Garcia (2001) sugerem que a capacidade de um T. rex se deslocar numa corrida rápida estaria muito limitada depois dos indivíduos terem atingido um peso de 1000 kg. E este peso corresponde, de acordo com as inferências de Erickson et al. (2004) a um animal juvenil com cerca de 13 anos. Assim, é provável que apenas os indivíduos com idade inferior a 13 anos tivessem capacidade cursorial que lhes permitisse deslocação a velocidade elevada. Se esta mesma relação ocorresse para os outros taxa tyrannossaurídeos de menores dimensões, "estas limitações locomotoras só surgiriam nestes animais quando eles estivessem muito mais perto das dimensões adultas".

. Estes resultados podem também ser aplicados à estrutura de idade das populações. Currie (2000) descreveu um agregado de mortalidade em massa que incluía 8 ou 9 exemplares de Albertosaurus sarcophagus. Com base nos resultados obtidos por Erickson et al. (2004), estes investigadores inferiram a idade e o estádio de cada um destes animais que integrariam um grupo social, provavelmente familiar:

. 2 ou 3 indivíduos adultos (com 21 ou idade superior)

. 1 adulto jovem com cerca de 17 anos

. 4 sub-adultos (idade entre12 - 17 anos), que passavam pelo crescimento exponencial na altura da morte

. 1 juvenil, com cerca de 10 anos, que iniciava a transição para o crescimento exponencial

. 1 novo exemplar que teria apenas 2 anos

"Isto indica que os grupos de A. sarcophagus, quer fossem temporários ou permanentes, podem ter sido formados por indivíduos que abrangiam o espectro etário desde adolescentes a muito velhos, adultos senescentes, uma descoberta consistente com a evidência icnológica para outros dinossáurios teropodes (Currie 2000)" (Erickson et al. 2004).

PARA SABER MAIS ...

A INFERIDA TAXA DE CRESCIMENTO DE TYRANNOSAURUS REX E O REGIME ALIMENTAR