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PARA SABER MAIS ... |
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"Os dinossáurios com penas da China forçaram-nos a
confrontarmo-nos com o facto de que as penas e o voo
não surgiram simultaneamente".
Gauthier e de Queiroz 2001
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Em
2000, com cinco teropodes não avianos conhecidos com integumento de
proto-penas e/ou penas, Currie escreveu: "O facto destes dinossáurios representarem uma tão grande diversidade de teropodes sugere fortemente que muitos, senão todos, dos dinossáurios carnívoros teriam provavelmente penas. Consideremos este exemplo: Tyrannosaurus surge no mesmo ramo da árvore da família dos dinossáurios com penas. Se o mais primitivo Sinosauropteryx apresenta alguma forma de estruturas semelhantes a penas e se todos os seus parentes mais próximos tinham penas, será possível que até o enorme Tyrannosaurus rex tivesse penas cobrindo algumas partes do corpo em algum estádio da sua vida?. É provável que sim, embora tenhamos muitas certezas que um animal tão grande não necessitaria delas para isolamento, quando adulto. Impressões da pele com escamas estão preservadas para os parentes tyrannossaurídeos Gorgosaurus e Daspletosaurus e não existe qualquer indicação de penas; mesmo assim, não é impossível que as crias / juvenis pudessem ter tido algum tipo de isolamento ou que os adultos utilizassem as penas como ornamento atractivo para exibição". Currie
2000 |
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O
«dragão imperador paradoxal» foi instituído para vários exemplares do
Cretácico inferior da Formação Yixian e descrito recentemente por Xu et al.
(2004). Segundo Xu et al. (2004), este novo taxon será o mais antigo
tyrannossauroide inequívoco encontrado até ao momento, embora outros taxas
tenham sido referidos a este clade, quer do Jurássico final, quer do Cretácico
inicial: .
Stokesosaurus
Madsen 1974 .
Siamotyrannus
Buffetaut et al. 1996 . Eotyrannus
Hutt et al. 2001 .
Aviatyrannus
Rauhut 2003 . dente de afinidade tyrannossauroide Manabe 1999 |
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Dilong
paradoxus será um
tyrannossauroide basal, pequeno
(comprimento total rondando 1,6 m)
e
gracioso, com membros anteriores longos terminando por três dígitos.
"Apresenta um mosaico de características, incluindo uma estrutura cranial
derivada semelhante à de tyrannossauroides avançados e um esqueleto pós-cranial
primitivo, semelhante ao de coelurossaurios basais" (Xu et al. 2004).
O maior dos 4 exemplares
referidos a este taxon é estimado como tendo um comprimento total de 1,6 m. A
sua pequena dimensão em comparação com as dimensões gigantescas dos
tyrannossauroides mais derivados é consistente com a previsão de uma tendência
no sentido do aumento das dimensões (Holtz 1994; Sereno 1998; Erickson et al.
2004). De facto, Holtz (1994) tinha previsto que os parentes iniciais dos
tyrannossaurídeos seriam 'tyrannoraptores' graciosos, com membros anteriores
alongados e bem desenvolvidos e mãos agarradoras. "Comparativamente, os
tyrannossauroides de Liaoning são semelhantes a outros tyrannossauroides
juvenis; por exemplo, ambos apresentam focinho e mandíbula longos e baixos,
dentes com serrilhas de dimensão diferente, conforme sejam anteriores ou
posteriores, espinhas neurais cervicais baixas, centra cervicais e dorsais
relativamente baixos e centra dorsais muito maiores do que os das cervicais.
Algumas destas características foram também referidas para outros
tyrannossauroides basais. Estes dados indicam que a peramorfose poderá ter sido
importante na evolução tyrannossauroide, mas esta sugestão está dependente
de análises a partir de dados mais completos" (Xu et al. 2004). |
Comparação, à mesma escala, entre os crânios de Dilong paradoxus (em baixo, à esquerda) e de Tyrannosaurus rex. |
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Dilong
paradoxus.
Fotografias do crânio
em vista lateral esquerda (a) e em vista dorsal (c). Esquema do crânio em vista
lateral esquerda (b) e em vista dorsal (d) (escala: 2 cm) (segundo Xu et al.
2004). |
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As proporções dos
membros posteriores indicam capacidade cursorial, sendo as razões dos
comprimentos tíbia / fémur e metatarsus/ fémur de 1,13 e 0,66,
respectivamente. Contudo, considerando o crescimento alométrico no
desenvolvimento tyrannossauroide (Currie 2003), Dilong apresenta membros posteriores mais curtos do que
tyrannossauroides com dimensões idênticas. O dígito II da mão é bastante
robusto, com o metacarpo II e respectivas falanges muito mais robustas que o
metacarpo I e falanges correspondentes. Esta é uma característica derivada
observada em outros tyrannossauroides. Mas o dígito III da mão não apresenta
redução nem no comprimento nem no número da falanges. Mas é bastante esguio,
representando portanto um precursor do reduzido dígito III da mão de
tyrannossauroides mais derivados. Segundo Xu et al. (2004), Dilong
apresenta muito mais modificações derivadas presentes nos tyrannossauroides no
crânio do que no pós-crânio. "Por exemplo, os tyrannossauroides de
Liaoning têm 80% de características craniais diagnósticas dos
tyrannossauroides em comparação com apenas 25% de sinapomorfias pós-craniais.
Isto indica que na evolução tyrannossauroide a modificação cranial terá
ocorrido mais cedo do que a modificação pós-cranial. |
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Reconstituição esquelética
de Dilong paradoxus com os ossos
preservados num dos exemplares (escala: 10 cm) (segundo Xu et al. 2004). |
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"Em comparação
com os tyrannossauroides gigantescos do Cretácico final, os tyrannossauroides
basais de Liaoning possuem um esqueleto menos pneumatizado. A pneumatização pós-cranial
também está, tal como nos tyrannossauroides, menos desenvolvida em membros
basais de pequena dimensão de muitos grupos coelurossaurianos não avianos e
está mais desenvolvida em membros mais derivados e de maiores dimensões
destes grupos. Portanto, a distribuição da pneumatização pós-cranial é
muito complexa entre coelurossaurianos, e não parece apresentar uma tendência
evolucionária contínua ao longo da linhagem que conduz às aves" (Xu et
al. 2004). |
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Os tyrannossauroides de
Liaoning não têm um pé arctometatarsaliano, uma característica sugerida como
estando associada com uma forte capacidade cursorial (Holtz 1995). Holtz (1994)
propôs que o pé arctometatarsaliano diagnosticaria um grupo mais inclusivo, a
que chamou Arctometatarsalia. Mas descobertas recentes mostram que esta
interessante característica do pé, tal como acontece nos tyrannossauroides,
está ausente nos membros basais e de pequenas dimensões de muitos dos
sub-grupos "arctometatarsalianos" (Xu et al. 2002) e que está
desenvolvida nos grandes membros derivados dos respectivos grupos. Noutros taxa,
como alvarezsaurios e troodontídeos, o pé arctometatarsaliano está presente
mesmo em formas com reduzidas dimensões corporais. Isto suporta fortemente a
hipótese de que o pé arctometatarsaliano terá evoluído independentemente
dentro de diferentes grupos coelurossaurianos (Holtz 1998; Sereno 1999)" (Xu
et al. 2004).
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Num dos exemplares
referidos a Dilong observam-se, "na cauda, impressões de estruturas integumentares
filamentosas, preservadas fazendo um ângulo de 30 - 45º com a série vertebral
caudal". Perto da mandíbula posterior observa-se também um pequeno
agregado de estruturas semelhantes. As impressões associadas com a cauda têm
mais de 20 mm de comprimento e estão ramificadas, "num padrão difícil
de
discernir. Parecem ser formadas por uma série de filamentos ligados na base ao
longo de um filamento central como em Sinornithosaurus
(Xu et al. 2001). Muitas destas estruturas parecem estar ramificadas
distalmente, como pode ser observado em alguns casos em Sinornithosaurus". |
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Estruturas
integumentares observadas num dos exemplares do tyrannossauroide basal Dilong paradoxus:
estruturas
integumentares filamentosas que ocorrem ao longo da margem dorsal de vértebras
caudais distais (fotografia - a; esquema - b); e estruturas integumentares
mostrando um padrão simples de ramificação (fotografia - c; esquema - d) (segundo Xu et al. 2004). |
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http://news.nationalgeographic.com/news/2004/10/1006_041006_feathery_dino.html |
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"Este exemplar de Dilong
fornece a primeira evidência directa de que os tyrannossauroides
possuíam
proto-penas. E estas proto-penas filamentosas estão ramificadas, tal como
ocorre noutros taxa coelurossaurios. Esta é uma característica distinta das
penas modernas, sugerindo que esta importante modificação terá ocorrido cedo
durante a evolução coelurossauriana" (Xu et al. 2004). A evidência de proto-penas e/ou penas é muito rara, já que estas facilmente se decompõem quando expostas a oxigénio. São necessárias condições especiais de fossilização para que se mantenham. E estas condições ocorreram nas jazidas de Liaoning, onde os animais ficaram enterrados muito rapidamente sob cinzas vulcânicas muito finas, que não destruíam o integumento e que, pelo contrário, permitiam a preservação minuciosa dos seus contornos. |
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Isto não significa que os grandes exemplares de Tyrannosaurus rex (ou os seus predecessores) mantivessem uma cobertura idêntica, já que as grandes dimensões permitiam, só por si, evitar a perda de calor (e uma cobertura desse tipo, para grandes animais, impede a perda de calor, o que poderá revelar-se fatal). Mas as crias / juvenis poderiam ainda apresentar uma cobertura semelhante a uma penugem. Também
não devemos «embarcar» na falsa dicotomia: "ou bem que o integumento era
formado por penas ou bem que era constituído por escamas". Como Holtz
salienta, não existe actualmente nenhum animal que possua penas e que não
tenha escamas ou
«escudos» ou outro tipo de integumento. E as raras evidências de
integumento conhecido para tyrannossaurídeos mais derivados, representando
indivíduos adultos ou perto da maturidade, revelam pequenas porções com
escamas, demonstrando que pelo menos parte da epiderme era formada por escamas.
Relativamente ao integumento de animais como Tyrannosaurus
rex e/ou Tarbosaurus não possuímos
qualquer evidência, quer se trate de indivíduos juvenis ou adultos. O que
sabemos é que antepassados dos tyrannossaurídeos possuíam um integumento
formado por «proto-penas». Esta característica pode ter desaparecido,
transformado ou mantido. Mas, actualmente, não temos qualquer evidência
para o padrão da sua evolução. Ela pode surgir quando encontrarmos impressões
(completas) de pele de múltiplos estádios de crescimento de Tyrannosaurus
rex ... (http://dml.cmnh.org/2004Oct/msg00185.html ).
Impressões de pele fossilizada encontradas no exemplar deTyrannosaurus rex conhecido por «Wyrex» (proveniente da Formação Hell Creek, Montana), um adulto (retirado de Glut 2006). |
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| Existem alguns relatos
da preservação de pele de grandes tyrannossaurídeos que surgem como pequenos
pedaços formados por escamas (Martin e Czerkas 2000), mas a presença dos dois
tipos de cobertura não pode ser considerada inesperada". "Tendo em
conta as morfologias
diversificadas das estruturas integumentares que ocorrem nas aves modernas, é
possível que os teropodes não avianos apresentassem diferentes morfologias
integumentares em diferentes partes do corpo, e que grandes tyrannossauroides
avançados tivessem tanto apêndices integumentares semelhantes a escamas como
apêndices filamentosos. Em alternativa, a falta de estruturas integumentares
filamentosas em tyrannossauroides derivados estará correlacionada com a grande
dimensão, uma estratégia fisiológica também adoptada por alguns mamíferos
como os elefantes, que perdem grande parte do pelo da cobertura à medida que se
aproximam do estádio adulto (Spinage 1994). Isto, portanto, suporta a hipótese
de que a função original das proto-penas está correlacionada com a termorregulação (Chen et al. 1998)" (Xu et al. 2004). |
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PARA SABER MAIS ... |
| Assim, antes da descoberta dos fósseis da Formação Yixian, a cobertura integumentar dos teropodes era praticamente desconhecida. Hoje é aceite consensualmente que os coleurossaurios apresentavam já outras características que, passo a passo, os iam aproximando das aves - um integumento que incluía proto-penas. Como este tipo de integumento ainda não foi relatado para tetanuranos não coelurossaurios, estas estruturas poderiam estar presentes nos antepassados dos carnossaurios, spinossaurídeos e outros tetanuranos, embora a ausência destas estruturas e a presença de um mosaico de escamas plesiomórfico dinossauriano no ceratossaurio Carnotaurus sugira que o antepassado comum de Ceratosauria e Tetanurae teria um integumento formado por escamas e não por uma penugem. |
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PARA SABER MAIS ... |
| Uma
descoberta recente poderá ajudar a resolver esta questão. Um esqueleto
representando um juvenil Allosaurus,
proveniente da pedreira de Meilyn (Wyoming), do Jurássico superior da
base da Formação Morrison, tem preservada, no lado esquerdo do corpo,
uma impressão da pele com cerca de 30 cm2 que mostra pequenas
escamas com 2 - 3 cm de diâmetro. "Isto sugere que os allossaurios
juvenis possuíam um integumento formado por escamas" (Pinegar et al.
2003). Segundo
estes investigadores, este exemplar não deve representar a espécie A. fragilis, que parece ocorrer apenas em estratos mais recentes da
Formação Morrison; provavelmente pertence à mesma espécie do exemplar DINO
11541, A. "jimmadseni" (Chure 2001).
http://www.cr.nps.gov/museum/exhibits/dino/exb/cast_allosaurus_jimmadeseni_dino11541t_exb.html http://www.isgs.uiuc.edu/dinos/utah2kweb/dinosaur_nat/dnm-quarry_newallos3.jpeg Este exemplar permite concluir que Allosaurus será o teropode tetanurano mais derivado a possuir um revestimento do corpo com escamas, presente em teropodes mais basais, como Carnotaurus. Assim, perante as evidências disponíveis neste momento, podemos sugerir que o integumento dos aveteropodes não coelurossaurios seria formado por escamas, incluindo portanto a previsão de que os Tetanurae basais, como Spinosauroidea, conservariam a condição plesiomórfica das típicas escamas arcossaurianas. |