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PARA SABER MAIS ... |
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| Recentemente, surgiu uma
polémica precisamente sobre as dimensões das maiores pegadas atribuídas a
teropodes Triássicos. Olsen et al. (2002), numa análise das pegadas
encontradas no Supergrupo Newark da zona oriental da América do Norte, concluíram
que as suas dimensões são relativamente reduzidas e que pegadas de grandes
dimensões, como Eubrontes giganteus
(comprimento compreendido
entre os 35
e 45 cm) só surgem nos inícios do Jurássico.
Inferiram, com base no registo global das pegadas e na sua icnodiversidade, que
o limite Triássico – Jurássico assinala uma grande extinção, sendo provável
que o aparecimento de grandes predadores estivesse relacionado com o
desaparecimento dos seus mais directos competidores ou com um acontecimento de
dispersão, a partir de uma localização desconhecida. Olsen et al. (2002)
favoreceram a primeira destas hipóteses. |
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http://www.ldeo.columbia.edu/~polsen/nbcp/olsen.et.al.science.pdf |
| Correlação para as quatro principais bacias do Supergrupo Newark, mostrando a extensão temporal dos icnogéneros de vertebrados reconhecidos e de vários taxa osteológicos. As marcas negras indicam amostras abundantes de pegadas e as marcas brancas referem-se a amostras com um número de pegadas inferior a 10. O limite que assinala a transição do Triássico para o Jurássico revela um súbito desaparecimento de grande número de taxa, com o aparecimento logo depois de taxa anteriormente desconhecidos. Este limite é também assinalado por uma forte concentração de irídio, sugerindo uma colisão de um meteorito, eventualmente como principal agente da extinção. O comprimento máximo das pegadas atribuídas a teropodes aumenta com o surgimento do icnogénero Eubrontes, cerca de 10 000 anos depois do acontecimento de extinção em massa. A percentagem de taxa dinossaurianos cresce exponencialmente logo a seguir ao limite Triássico - Jurássico. |
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Icnotaxa |
Provável produtor |
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| 1. Rhynchosauroides hyperbates | Lepidosauromorfo ou arcosauromorfo primitivo |
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| 2. Género dinossauriano sem nome | Dinossáurio desconhecido, eventualmente herrerasaurídeo |
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| 3. Atreipus | Dinossáurio ornistiquiano |
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| 4. Chirotherium lulli | Crurotarsaliano, possivelmente aetossaurídeo |
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| 5. Procolophonichnium | Procolofonídeo |
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| 6. Gwyneddichnium | Tanistrofeideo |
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| 7. Apatopus |
Fitossaurio
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| 8. Brachychirotherium parvum | Crurotarsaliano rauisuquiano |
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| 9. Novo taxon (B) | Crurotarsaliano, possivelmente crocodilomorfo |
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| 10. Rhynchosauroides spp. | Lepidosauromorfo |
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| 11. Ameghinichnus | Sinápsido avançado, eventualmente tritelodontídeo |
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| 12. Grallator | Pequeno dinossáurio teropode |
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| 13. Anchisauripus | Dinossáurio teropode de dimensões médias a grandes |
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| 14. Batrachopus deweyii | Crocodilomorfo |
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| 15. "Batrachopus" gracilis | Crocodilomorfo |
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16. Eubrontes giganteus |
Dinossáurio teropode de grandes dimensões |
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| 17. Anomoepus scambus | Dinossáurio ornistiquiano |
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| 18. Otozoum moodii | Dinossáurio prosauropode |
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PARA SABER MAIS ... |
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Thulborn (2003), numa
resposta a este artigo, sugeriu que o segundo cenário é mais provável, com
uma migração dos grandes teropodes para a zona oriental da América do Norte
no início do Jurássico a partir dos continentes do Gondwana. Como principal
argumento, Thulborn referiu a ocorrência de grandes teropodes na Austrália
ainda durante o Triássico final (Carniano), cerca de 20 milhões de anos antes
do limite Triássico – Jurássico, reconhecíveis a partir de uma pista
formada por três pegadas sucessivas, preservadas como hiporrelevos convexos,
numa mina de carvão de Rhondda, Queensland. Segundo Thulborn, “a pegada em
melhor estado de preservação tem 43 cm de comprimento, cerca de 20% maior do Eubrontes giganteus da América do Norte, e o comprimento da
passada é de 1,91 m”. Uma destas pegadas, “registada na forma de um molde, é muito semelhante ou até idêntica a exemplares Norte-Americanos
do “clássico” icnogénero Eubrontes”.
Este investigador salienta mesmo que o seu produtor teropode teria grandes
dimensões, com uma altura de anca superior a 2 m. Thulborn concluiu que “a
emergência de grandes dinossáurios predadores não foi a consequência de
extinção em massa no limite Triássico – Jurássico, e que os agregados de
pegadas do Supergrupo Newark devem reflectir acontecimentos locais (Laurasianos)
na história dinossauriana e não acontecimentos de significado global”. |
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| Grande pegada de teropode, segundo Thulborn (2003), da Formação Blackstone das minas de carvão de Ipswich, Queensland. |
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Olsen e colegas (2003) responderam a este comentário de Thulborn, focando essencialmente a morfologia da pegada de Queensland e a sua provável afinidade teropodiana. Segundo estes investigadores, a pegada referida por Thulborn não é idêntica ao icnogénero Eubrontes porque “é visível na fotografia uma depressão lateral ao dígito II que pode ser interpretada como uma impressão de um grande dígito I e uma aparente impressão metatarsofalangeal atrás das almofadas falangeais”. Assim, uma pegada, no mínimo, tetradáctila, nem pode ser incluída em Eubrontes nem deve ter uma afinidade teropodiana, concluem Olsen et al. (2003). E referem que Olsen (1996) tinha já descrito pegadas pentadáctilas com esta ordem de dimensões que surgem em sedimentos do Carniano da região oriental da América do Norte (Virgínia), de origem não dinossauriana, muito semelhantes a Parachirotherium descrito por Haubold (2000) e interpretado por este investigador como de origem dinossauroide. Olsen e colegas sugerem que o exemplar referido por Thulborn (2003) pode também ser incluído neste icnotaxon e acrescentam que não se deve colocar de lado uma origem crurotarsaliana, afastada dos dinossáurios e dos teropodes. |
http://www.ldeo.columbia.edu/~polsen/nbcp/olsen_reply_2003.pdf |
| Dois exemplares de cf. Parachirotherium: de dimensões médias (A), correspondendo à impressão de um pé esquerdo, em que os três dígitos centrais "são superficialmente semelhantes" a pegadas atribuíveis a teropodes; e de grandes dimensões (B) (neste exemplar, representando um contra-molde do pé direito, surge também uma pista Apatopus lineatus). As duas pegadas provêm do Carniano da Formação Peking, Carolina do Norte. |
| Olsen e colegas
(2003) concluem que “ao contrário da afirmação de
Thulborn de que “não é especialmente surpreendente que enormes dinossáurios
teropodes surjam num agregado faunístico mas não no outro”, sugerimos que
isso é surpreendente, até chocante, porque os enormes animais de grande
mobilidade, como os teropodes, podiam facilmente ter caminhado de Brisbane a New
York no Pangea Triássico durante a história de uma única vida. Se não o
fizessem, algo os deve ter impedido. Mesmo que processos climáticos ou ecológicos
mantivessem um acentuado provincionalismo durante o Triássico final, excluindo
talvez os grande teropodes de algumas regiões do Pangea, o desaparecimento
abrupto desse provincionalismo no limite Triássico – Jurássico ainda assim
seria o sinal de um acontecimento biológico global de imensa importância, e não
um acontecimento “local””. |