PARA SABER MAIS ...

O MAIS ANTIGO TEROPODE TETANURAE CONHECIDO

 

 

Arcucci e Coria (2003) descreveram elementos esqueléticos de um novo teropode, Zupaysaurus rougieri, encontrados em sedimentos do Triássico final da província de La Rioja, Argentina. Várias características permitiram a estes investigadores concluir que Zupaysaurus pode representar um teropode Tetanurae: presença de uma fiada de dentes anterior à órbita, lacrimal pneumatizado, tíbia com extremidade distal côncava posterolateralmente e expandida transversalmente. Algumas características são partilhadas com alguns ceratossaurios: presença de um sulco alveolar na maxila, uma grande fenestra antorbital, um astragalus-calcaneum fundido. Arcucci e Coria interpretam estas características ou como homoplasias com alguns ceratossaurios ou como características plesiomórficas dentro de Neotheropoda.

http://www.freewebs.com/skeletaldatabase/zupaysaurus.htm

 

 http://www.deviantart.com/deviation/3077494/

http://ar.geocities.com/sanluisturismo/prensa1.htm

 

Se a inclusão deste teropode em Tetanurae estiver correcta, então  Zupaysaurus representa o mais antigo Tetanurae conhecido, clade cuja ocorrência em sedimentos do Triássico final tem sido prevista por várias análises filogenéticas de Theropoda calibradas temporalmente.

Mas Carrano e Sampson (2004), numa revisão dos teropodes coelofysoides, sugerem que Zupaysaurus representa um membro deste clade e não um tetanurano.

Ezcurra (2005), numa apresentação oral, sugeriu também que a morfologia de Zupaysaurus mostra que este teropode não é um tetanurano basal, mas faz parte do clade dos teropodes coelofysoides. Este investigador também sugeriu que Zupaysaurus não teria qualquer crista no topo do crânio, argumentando que este foi esmagado obliquamente, deixando parte dos lacrimais esquerdos visíveis sobre os lacrimais direitos, de onde resultou a aparência de uma crista.

Articulação tíbio - tarso, direita, de Zypaysaurus rougieri, em vista cranial (retirado de Arcucci e Coria 2003). Segundo estes investigadores, este teropode apresenta astragalus fundido com o calcaneum, mas estes elementos não estão fundidos com a tíbia.

 

Dois trabalhos publicados no final de 2006 reinterpretaram Zupaysarus rougieri como um membro de Coelophysoidea e não como um tetanurano basal. Segundo Ezcurra e Novas (2006), este taxon passa a representar o primeiro registo dos teropodes coelofisoides na América do Sul. Segundo este estudo, as  características derivadas com Tetanurae (como fenestras maxilares, ramo ascendente da maxila com forma de forquilha caudalmente) devem ser interpretadas como homoplasias. De qualquer forma, o “crânio deste teropode revela novidades anatómicas (como lacrimal pneumático; fenestras maxilares; órbita oval; contacto alargado entre squamosal e quadratojugal) ausentes em quaisquer outros dinossáurios Triássicos descritos, incluindo os restantes coelofisoides. É interessante salientar que estas características se assemelham aos aspectos morfológicos de teropodes mais derivados, aproximando-s de alguns caracteres dos tetanuranos e neoteropodes ceratossaurianos” (Ezcurra 2006).

Crânio holótipo de Zupaysaurus, em vistas lateral direita (A), lateral esquerda (B), dorsal (C); e reconstruções em vistas dorsal (D) e lateral direita (E) (retirado de Arcucci e Coria 2003).