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PARA SABER MAIS ... |
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| Gomes
(1916) descreveu, sem atribuir qualquer nome formal, várias grandes pegadas
encontradas no Jurássico final do Cabo Mondego, preservadas como
hiporrelevos convexos profundos (contramoldes), com impressão longa de
metatarsos e do dígito I. Foi Nopsca (1923) que incluiu esta amostra na icnoespécie
Eutynichnium lusitanicum, “mas as
suas descrições não são adequadas, por isso o nome é um nomen
dubium” (Lockley et al. 1996). |
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| Subsequentemente,
outros níveis com pegadas tridáctilas foram também descobertos nesta região
(Lapparent et al. 1951; Lapparent e Zbyszewski 1957), mas estes icnitos estavam
preservados como epirrelevos
côncavos, quase todos sem impressão do dígito I.
Aparentemente, esta amostra de pegadas tridáctilas apresentava dimensões
superiores (excluindo a impressão posterior dos metatarsos) às pegadas
descritas por Gomes (1915-1916). O que levou Lapparent e colegas (1951) a
sugerirem que as pegadas de menores dimensões poderiam ser atribuídas (“com
uma grande probabilidade”) a Megalosaurus
insignis, um megalossaurio mais
pequeno; e que a amostra de grandes pegadas teria como autor o enorme Megalosaurus
pombali. Lapparent e Zbyszewski (1957) referiram-se às pegadas do Cabo
Mondego como “pegadas Megalosaurus”.
Haubold (1971) incluiu Eutynichnium
lusitanicum em Megalosauroidea, referindo-se mesmo a
E. (Megalosaurus) pombali. Estava lançado
o “conceito de pegadas de Megalosaurus”. |
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| Lessertisseur
(1955) introduziu o nome Megalosauripus,
segundo Lockley et al. (1996, 2000), numa forma que tentava apenas exemplificar
como se podem atribuir nomes a pegadas (nessa altura, era comum instituir nomes
relacionados com os inferidos autores). Por esta razão, Lockley et al. (1996,
2000) consideraram o icnotaxon como um nomen
nudum, “porque não foram designados nem um nome de espécie nem um
exemplar tipo”, “apesar das intenções de Lessertisseur”. |
| Opinião
contrária foi recentemente formulada, através de vários argumentos, por
Thulborn (2001). A história das pegadas Megalosauripus
remonta, segundo este investigador, a 1905, quando Ballerstedt descreveu várias
pegadas de dinossáurios preservadas como hiporrelevos convexos do Cretácico
inferior (Barresiano) de Harrl-Steinbruche, perto de Buckeburg, Alemanha. A
morfologia característica destas pegadas tetradáctilas, com robustos dígitos
II, III e IV e um hallux medial a um longo calcanhar, com o apex dirigido para
trás, foi exemplificada por um exemplar quase completo; num outro exemplar não
se observa a extremidade posterior do calcanhar. |
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Esquema de pegadas do pé direito (A) e do pé esquerdo (B), preservadas como moldes naturais, do Wealden de Harrl-Steinbruche (Alemanha), publicados por Thulborn (2001) a "partir de fotografias publicadas por Ballerstedt 1905 com um mínimo de interpretação". O exemplar A foi chamado Megalosauripus por Lessertisseur (1955), mais tarde designado por Kuhn (1958) como o holótipo de Buckeburgichnus maximus. Segundo Thulborn (2001), o exemplar B foi "erradamente identificado por Lockley (2000b) como o holótipo de B. maximus (escala: 10 cm) (retirado de Thulborn 2001). |
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Abel
(1935) apresentou um esquema da pegada mais completa e, contrariando a sugestão
de Ballersted (1905), sugeriu que ela representaria um teropode, “Megalosaurus?”.
Lessertisseur (1955) referiu, na sua compilação de pegadas fósseis, as
pegadas descritas por Ballerstedt, apresentando um esquema simplificado baseado
no esquema de Abel (1935), e identificando na respectiva legenda a pegada como Megalosauripus.
De facto, como Lockley et al. (1966, 2000) referiram, no texto de Lessertisseur
o nome Megalosauripus só surge como
exemplificando como se podem construir nomes para atribuir a pegadas fósseis
(neste caso, a pegadas de megalossaurios): “Será de desejar que se atribua a
todas estas pegadas (todas as pegadas de teropodes do Jurássico e do Cretácico
que Lessertisseur tinha referido em frases anteriores) nomes precisos, quanto
mais não seja juntando um sufixo ao nome do presumível autor (Megalosauripus,
Tyrannosauripus)”. |
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Esquemas do material holótipo (molde natural de uma pegada de pé direito, publicados por Abel (1935), sem nome formal (A); e por Lessertisseur (1955) com a legenda Megalosauripus (B) (escala: 10 cm) (retirado de Thulborn 2001). |
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Kuhn
(1958), numa outra compilação de pegadas de anfíbios e répteis, apresentou
um outro esquema da mesma pegada baseado também em Abel (1935). Este
investigador, para além de não referir que Lessertisseur (1955) tinha chamado Megalosauripus
a esta pegada, institui um novo icnotaxon monoespecífico - Buckeburgichnus
maximus. Mais tarde, Kuhn (1963) referiu Megalosauripus Lessertisseur 1955 como sinónimo de Buckeburgichnus,
salientando que Megalosauripus
Lessertisseur 1955 deveria ser considerado não válido por o investigador Francês
não tinha fornecido uma diagnose. |
| Esquema da mesma pegada designada por Kuhn (1958, 1963) como o holótipo de Buckeburgichnus maximus (escala: 10 cm) (retirado de Thulborn 2001). |
| Lockley
et al. (1996, 2000) e Lockley (2000) aceitaram a opinião de Kuhn, referindo que
Megalosauripus Lessertisseur 1955 deve
ser considerado um nomen nudum, porque
foi publicado sem diagnose nem designação de uma espécie tipo. Thulborn
(2001) salienta que o nome Megalosauripus
que surge no texto de Lessertisseur (1955), “como se refere a um conceito
hipotético (ou seja, a noção abstracta de pegadas de megalossaurios em geral)
não deve ser encarado como um nome científico legítimo. Consequentemente,
esta utilização particular do nome Megalosauripus
não deve surgir na sinonomia de Buckeburgichnus
ou de B. maximus”. Mas
“Lessertisseur (1955) deu o nome de Megalosauripus
na legenda da pegada a que mais tarde Kuhn (1958) considerou o holótipo de Buckeburgichnus
maximus. Esta determinada ocorrência publicada do nome Megalosauripus
na legenda da figura da página 115 do trabalho de Lessertisseur (1955) merece
reconhecimento como um sinónimo de Buckeburgichnus
e não é manifestamente um nomen nudum
(contra Lockley et al. 1996; 2000; Lockley 2000b)” (Thulborn 2001). Thulborn (2001) salienta que, segundo o ICZN, não é obrigatória uma diagnose formal,
tal como as regras do ICZN estabelecem que um icnogénero instituído antes de
2000 não necessita de uma espécie tipo. Segundo Thulborn (2001), “a publicação
de Lessertisseur (1955) satisfaz os requisitos necessários”, ..., “e o nome
Megalosauripus Lessertisseur 1955 tem
precedência sobre Buckeburgichnus
Kuhn 1958”, ..., e “ não pode ser considerado um nomen dubium ou nomen nudum
(contra Lockley et al. 1996, 2000; Lockley 2000 b)”. “Como o trabalho
subsequente de Kuhn (1958) designou uma espécie tipo, o nome correcto do taxon
estabelecido com base no exemplar nº 4 de Ballerstedt (1905) deve ser Megalosauripus
maximus (Kuhn 1958)”. |
| Lockley
et al. (1966, 2000) apresentaram um esquema da pegada Megalosauripus Lessertisseur 1955, correspondendo ao holótipo
designado por Kuhn (1958) como o contramolde de um pé direito. Lockley et al.
(2000) corrigiram o nome Buckeburgichnus
para Bueckeburgichnus, e apresentaram
um esquema (publicado posteriormente por Lockley 2000b na sua revisão de Bueckeburgichnus
maximus) do holótipo como um contramolde de uma pegada de pé esquerdo.
Segundo Thulborn (2001), esta pegada que “Lockley (2000b) identificou
incorrectamente como o holótipo é provavelmente o exemplar nº 5” descrito
por Ballerstedt (1905). |
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| Esquema de molde natural de pegada de pé direito, "erradamente identificada como o holótipo de Bueckeburgichnus maximus por Lockley et al. (2000) e por Lockley (2000b)", segundo Thulborn (2001) (escala: 10 cm) (retirado de Thulborn 2001). |
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PARA SABER MAIS ... |
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Lockley
(2000a) descreveu sucintamente Bueckeburgichnus
maximus (Kuhn 1958) como “um distinto morfotipo, com um grosso dígito II
com nítidas almofadas falangeais e um dígito IV mais esguio e menos
segmentado”. “Buekeburgichnus
revela uma impressão de um pronunciado hallux e, a este respeito, poderia ser
considerado semelhante aos moldes naturais de pegadas do Jurássico final de
Portugal chamadas Eutynichnium
lusitanicum (Nopsca 1923). Contudo, para além da diferença de idade, foi
demonstrado (Lockley 2000a) que a pegada é significativamente distinta da
maioria dos exemplares de Portugal com base em detalhes morfológicos como a
divergência dos dígitos, forma e posição do hallux” (Lockley et al. 2000).
Moratalla e Sanz (1997) tinham relatado a presença do icnotaxon Bueckeburgichnus
em vários níveis do Cretácico (?Aptiano) da Bacia de Cameros (Espanha), mas
Lockley (2000a) duvida que o material de Espanha represente B.
maximus: “considero pouco provável que as grandes pegadas de teropodes
com dígitos robustos (isto é, bem almofadados) da parte superior da sequência
(Bacia de Cameros) pertençam a esta icnoespécie”. |
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Pegadas
integrando várias pistas encontradas na jazida de Los Cayos, Cornago, e que
Moratalla (1993) e Moratalla e Sanz (1997) incluíram em Bueckeburgichnus, considerando que entre os 4 morfotipos de pegadas
de teropodes não avianos encontrados na Bacia de Cameros, este “é um dos
mais abundantes”. Só num dos níveis da jazida de Los Cayos, estes investigadores
contabilizaram 425 pegadas, incluindo 36 pistas. |
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Pista
formada por 11 pegadas Bueckeburgichnus
da jazida de Los Cayos A, segundo Moratalla (1993) e Moratalla e Sanz
(1997) (retirado de Moratalla et al. 1988). |
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“Este icnogénero
(para a Bacia de Cameros) atinge os 70 cm de comprimento. Os dígitos são robustos e
largos e a razão comprimento / largura varia entre 0,95 e 1,2. Algumas pegadas
de Los Cayos apresentam ocasionalmente uma nítida impressão do hallux” (Moratalla e Sanz 1997).
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| Moratalla
e Sanz (1997) consideram que para a sequência da Bacia de Cameros, com uma
extensão temporal entre o Berriasiano médio e o Aptiano inferior, o icnogénero
Bueckeburgichnus surge
predominantemente na icnofauna mais recente.
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| Esquema
de pegada tridáctila, proveniente da jazida do Cretácico inferior de Los Cayos
A (Cornago), que Moratalla (1993) incluiu em
Buckeburgichnus. Trata-se de pegadas de dimensão média a grande, com
impressões de dígitos robustos, terminando por impressões de garras, e superfície
plantar proporcionalmente grande (escala: 10 cm) (retirado de Moratalla et al.
1988). |
A inclusão das pegadas de Los Cayos A em Bueckeburgichnus pode também ser considerada problemática se se provar que estamos perante pegadas transmitidas a um nível inferior e não as pegadas «reais» produzidas no substrato pisado pelos animais. Observamos a presença de ripples no interior de algumas das pegadas, acompanhando a superfície de todo o estrato. A sua ocorrência no interior das pegadas poderá sugerir que este não terá sido o nível pisado pelos teropodes e que o que observamos são provavelmente pegadas transmitidas a um nível inferior (sub-impressões ou "pegadas fantasma"). Se assim for, é natural que estas impressões tenham perdido pormenores da anatomia autopodial dos seus autores e que não reflictam com fidelidade o esqueleto do seu pé, alterando simultaneamente a morfologia / dimensões das próprias pegadas. De um modo geral, "em muitas pegadas influem de tal maneira os elementos alheios à anatomia dos autopodios que é necessário inferir suficientemente que a forma corresponde ao pé e que não de trata de sub-impressões ("calcos")" (Molina et al. 2003). Pérez-Lorente (2003) salienta que "a maior parte das pegadas de teropodes Cretácicos de Espanha não tem caracteres biomórficos claros devido provavelmente ao comportamento do solo no momento da impressão". "É provável que devido à variabilidade das pegadas (ou longo de pistas ou de todo o registo) e/ou à fraca persistência de caracteres discriminatórios muito nítidos, não se tenham assinalado muitos novos taxa".
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Canudo et al. (2005) sugeriram que uma das pegadas, isolada, encontrada na jazida de “El Paso”, Zaragoza (Aragão, Espanha), pode ser incluída no icnogénero Bueckeburgichnus. A jazida, da Formação Villanueva de Huerva, datada do Valangiano - Hauteriviano, representa um sistema lacustre carbonatado efémero, com pouca energia (Soria de Miguel 1997). Neste nível ocorrem, para além do referido exemplar, duas outras pegadas tridáctilas deixada por um mesmo teropode. O exemplar referido a Bueckeburgichnus é tetradáctilo, já que apresenta uma pequena impressão do hallux, dirigida medialmente. O comprimento e largura são de 44 e 37 cm, respectivamente. O dígito II é alargado na porção média, pontiagudo da extremidade distal, apresentando uma única almofada. O dígito III é largo proximalmente, mas distalmente adelgaça-se, com uma pequena curva lateral. Nas extremidades dos dígitos II e III observam-se marcas de garras. A impressão do calcanhar é muito longa, de forma que a razão comprimento total / comprimento do dígito III ronda 1,9. |
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Pegadas tridáctilas da jazida de Valdecevillo (Enciso), que integram uma pista de quatro pegadas consecutivas, e que Casanovas e Santafé (1974) consideraram poder ser incluída em Megalosauripus. |
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| Casanovas
e Santafé (1974) descreveram algumas pegadas do Cretácico inferior de Espanha,
que poderiam ter como autores “um carnossaurio tipo Megalosaurus de grande dimensão. Segundo a moderna nomenclatura
icnológica tratar-se-ia pois do icnogénero Megalosauripus”.
“Estudos subsequentes sobre estas mesmas icnofaunas, culminando
no trabalho
de Moratalla (1993), não adoptaram este nome, mas utilizaram Bueckeburgichnus, salientando mais uma vez a afinidade Cretácica
deste icnito e a relutância na adopção do icnogénero Megalosauripus para pegadas com esta idade ou desta região”
(Lockley et al. 2000). Mas Lockley (2000b) sugeriu que esta amostra,
substancialmente mais recente do que
Bueckeburgichnus (Barresiano), não deve ser incluída neste icnotaxon. |
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| Segundo Thulborn (2001), “o nome Megalosauripus Casanovas e Santafé 1974, estabelecido com base numa série de três pegadas de dinossáurios do Cretácico inferior de Espanha (deve ser) encarado como um homónimo júnior objectivo de Megalosauripus Lessertisseur 1955. Recentes revisões de presumíveis pegadas de megalossaurios (Lockley et al. 1996, 2000) não sugerem qualquer opinião definitiva sobre o estatuto ou nomenclatura correcta destas pegadas de Espanha”. |
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Esquema de uma das pegadas da jazida de Valdecevillo incluída por Casanovas e Santafé (1974) em Megalosauripus. Trata-se de uma pegada com forma geral estilizada, com impressões de dígitos longos e esguios, com terminação distal aguçada. O comprimento ronda os 50 cm. O calcanhar é relativamente longo e a superfície plantar é proporcionalmente diminuta (escala: 10 cm). |
Cópia da pista de Valdecevillo, actualmente reconhecida através de 4 pegadas consecutivas, em exposição no Centro Paleontológico de Enciso. A sua observação atenta permite reconhecer em todas as pegadas a presença da impressão de um diminuto hallux. |
| Lockley
et al. (1996), considerando que o icnotaxon Megalosauripus
é um nomen nudum (nome sem validade)
e com a finalidade de manter estabilidade icnotaxonómica, concluíram que o nome
Megalosauripus estaria apto a ser
utilizado (em sentido vernáculo) e, não estando portanto «ocupado», foi
adoptado num sentido novo e diferente (sensu
Lockley et al. 1996). De facto, estes investigadores adoptaram-no para incluir
determinadas pegadas” (presumivelmente produzidas por megalossaurios) “de
uma amostra ampla de material do Jurássico final (perto do limite Oxfordiano -
Kimmeridgiano), “cuja origem primária provem da substancial amostra
encontrada em sedimentos com esta idade de Portugal e para quaisquer outras
pegadas com este mesmo morfotipo”. Reconheceram também que em níveis
estratigráficos com esta idade, este tipo de pegadas é também encontrado na
América do Norte e na Ásia central. |
| Estas
pegadas de Portugal incluíam exemplares do Cabo Mondego anteriormente
identificados como Eutynichnium
lusitanicum (Nopcsa 1923), preservados como contramoldes no Museu Nacional
de História Natural, pegadas tridáctilas igualmente do Cabo Mondego
preservadas in situ e outras expostas
no Museu do Instituto Geológico e Mineiro (preservadas como moldes naturais) e
uma grande pegada tridáctila da jazida da pedreira da Ribeira do Cavalo,
ilustrada (mas não sendo identificada a jazida). Entre a amostra da Ásia
central com um morfotipo idêntico, Lockley et al. (1996) incluíram Megalosauropus uzbekistanicus Baguniya e Kurbatov 1982. Outras
pegadas sem nome formal da Europa e da América do Norte, representando o mesmo
morfotipo, foram também incluídas neste conceito de Megalosauripus. “Neste sentido, o nome Megalosauripus (sensu
Lockley et al. 1996) foi introduzido primariamente para pegadas de dinossáurios
do Jurássico final de Portugal” (Thulborn 2001), tal como Santos (1998) tinha
anteriormente referido: “Estudos sistemáticos estabeleceram Portugal como uma
região tipo para pegadas de
megalossaurídeos
(=Megalosauripus)”. Para
esta ampla amostra, Lockley et al. (1996) só identificaram ao nível da icnoespécie,
na legenda da respectiva figura 2, as pegadas do Cabo Mondego e a pegada tridáctila
encontrada na jazida da pedreira da Ribeira do Cavalo, que foram designadas como
Megalosauripus lusitanicum, embora,
como Thulborn 2001 salientou, “o nome icnoespecífico deva ser corrigido para
lusitanicus”. “Assim, a icnoespécie tipo de Megalosauripus Lockley, Meyer e Santos 1996 deve ser Megalosauripus
lusitanicus (Nopcsa 1923)” (Thulborn 2001). Aliás, Santos (1998)
salientou que “a revisão icnotaxonómica de exemplares do Cabo Mondego e de
outros locais estabeleceu formalmente a icnoespécie Megalosauripus
lusitanicum para incluir este material”. |
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Esquema de "exemplares de Megalosauripus lusitanicum do Jurássico final de Portugal" publicado por Lockley et al. (1996), como figura 2. Os 4 exemplares de cima referem-se a moldes naturais da colecção de Gomes (1915-1916), da colecção do Museu Nacional de História Natural de Lisboa; o exemplar do centro-direita foi esquematizado a partir de uma pegada in situ do cabo Mondego; e o esquema inferior refere-se a uma grande pegada encontrada na jazida da Ribeira do Cavalo (retirado de Lockley et al. 1996). |
| Na
mesma publicação de 1996, Lockley e colegas salientaram que “no caso das
pegadas da Ásia (chamadas Megalosauripus
uzbekistanicus) é uma simples questão de transferir a icnoespécie para Megalosauripus”.
“Estas notas anteciparam a transferência das pegadas da Ásia para o icnogénero
Megalosauripus Lockley, Meyer e Santos 1966, anteriormente estabelecido com
base no material de Portugal e contendo apenas uma única icnoespécie com nome
formal, Megalosauripus lusitanicus. Estas
notas não antecipam a transferência das pegadas de Portugal para um icnogénero
estabelecido com base no material da Ásia. |
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Comparação entre pegadas tridáctilas incluídas por Lockley et al. (1996) em Megalosauripus, encontradas em sedimentos do Jurássico final da América do Norte, Portugal e Turkemenistão (retirado de Lockley et al. 1996). |
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Lockley
et al. (1996) caracterizaram assim “as pegadas Megalosauripus do Jurássico final da América do Norte, Europa e Ásia”: .
“As pegadas são grandes (até 72 cm de comprimento, em alguns casos),
alongadas (comprimento / largura da superfície plantar, excluindo metatarsos,
variando entre 1,35 e 1, 64) .
Apresentam um longo calcanhar (a razão entre o comprimento da pegada e o
comprimento do dígito III varia entre 1,45 e 1,85) .
Também são observadas nestas pegadas impressões discretas de almofadas
falangeais .
A largura das impressões dos dígitos é consistente ao longo de todo o seu
comprimento (e não são adelgaçadas ou fusiformes) .
As pistas encontradas nos três continentes são caracterizadas por um estilo de
locomoção variável, de onde resultam muitas vezes pistas irregulares, com
valor de ângulo de passo baixo (que pode alcançar 120º) e de largura total
elevado (pistas wide-guage)”. |
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Pegadas
incluídas por Lockley et al. (1996) em Megalosauripus,
exemplificadas para o Jurássico superior do Arizona e Utah (América do Norte)
e Ásia (Turkemenistão). Para além de uma relação elevada entre comprimento
e largura, esta amostra é tipidificada pela ocorrência de um uma impressão do
dígito III proporcionalmente curta em relação ao comprimento total das
pegadas, demonstrado nestes esquemas pela barra: a zona escura indica o
comprimento posterior à almofada falangeal proximal do dígito III e a zona
clara o comprimento anterior a esta almofada (ou seja, o comprimento impresso do
dígito III) (retirado de Lockley et al. 1996b). |
As
pistas Megalosauripus são muitas
vezes caracterizadas por um padrão irregular, que inclui ângulo de passo
baixo, grande largura interna e até evidência de coxeamento, como se observa
nas três pistas das jazidas de Chama (New Mexico) (A), de Kenton (Oklahoma) (B)
e de uma jazida do Turkemenistão (C). As pegadas que integram esta última
pista apresentam nítidas impressões de almofadas falangeais, ao contrário das
pistas da América do Norte, o que segundo Lockley (2000a) pode resultar apenas
de um artefacto preservacional de pegadas impressas na plataforma carbonatada
(retirado de Lockley et al. 1996b). |
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Uma
das pegadas
de teropodes encontradas na Formação Summerville, perto de Chama (New Mexico),
incluídas por Lockley et al. (1996a,b,c) em Megalosauripus
(a escala está em polegadas) (retirado de Lockley et al. 2000d). |
| Neste
trabalho de 1996, Lockley e colegas sugeriram também que as pegadas tridáctilas
de uma única pista do Jurássico final da jazida de Barkhausen (Alemanha), que
Kaever e Lapparent (1974) tinham incluído em Megalosauropus teutonicus, apresentam uma morfologia muito distinta:
“por exemplo, são tão largas ou mais largas que longas e não apresentam
impressões de almofadas falangeais distintas” e devem assim ser excluídas do
seu conceito de pegadas Megalosauripus.
Provavelmente, Lockley et al. (1996) basearam-se na descrição de Kaever e
Lapparent (1974), onde estes investigadores identificaram apenas uma pista com
“grandes pegadas tridáctilas, com dígitos robustos e poderosos”, ...,
“com comprimento médio de 56 cm e largura média de 60 cm”, ...., “com
passo longo (140 a 160 cm)”. |
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| Duas pegadas sucessivas da única pista de origem teropode identificada por Kaever e Lapparent (1974) na jazida de Barkhausen. |
| Kaever
e Lapparent (1974) tinham introduzido o “novo” icnogénero Megalosauropus, com a espécie tipo M. teutonicus, para pegadas tridáctilas identificadas como
integrando uma pista impressa em sedimentos do Jurássico final de Barkhausen
(Alemanha) e sugeridas como tendo sido produzidas por megalossaurios. Tudo
indica que estes investigadores desconheciam que Colbert e Merrilees (1967) já
tinham introduzido o nome Megalosauropus
para pegadas do Cretácico inferior da parte ocidental da Austrália, também
inferidas terem como autores teropodes megalossaurios. Mas, de facto, as pegadas
da Alemanha apresentam uma morfologia que as permite facilmente distinguir de Megalosauropus,
tal como foi formalmente descrito por Colbert e Merrilees (1967). |
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Esquema
de três pegadas tridáctilas consecutivas da jazida de Barkhausen, segundo Lockley e Meyer (1999), que referem na legenda que “a estas pegadas tridáctilas
foi incorrectamente atribuído o nome de Megalosauropus
(Kaever e Lapparent 1974)”. Apesar de na sua mais recente revisão das pegadas
Megalosauripus, Lockley et al. (2000)
terem salientado que a descrição original de Kaever e Lapparent (1974) contem
várias omissões (ocorrem de facto duas pistas atribuíveis a teropodes e não
uma) e vários erros (por exemplo, o comprimento das pegadas (63 cm) é bastante
superior à respectiva largura (53 cm)) e de remeterem os leitores para outros
pormenores para a publicação de Lockley e Meyer (1999), este esquema continua
a apresentar as pegadas como mais largas que longas e com um passo
significativamente inferior ao sugerido por Kaever e Lapparent (1974) e
(praticamente) confirmado por Lockley et al. (2000): variando entre 155 e 160
cm. |
| Em
2000, na sua mais recente revisão do conceito de pegadas de megalossaurios,
Lockley e colegas apresentaram um “conceito totalmente diferente do icnogénero
Megalosauripus” (Thulborn 2001), para além de terem enriquecido e
alterado a descrição das pegadas incluídas neste icnotaxon. |
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PARA SABER MAIS ... |