PARA SABER MAIS ...

MEI LONG

 

Xu e Norell (2004) acabam de descrever um novo troodontídeo de Liaoning revelando um comportamento  estereotipado das aves modernas que ocorreria já nos Maniraptora. De facto, o esqueleto foi encontrado na típica posição de descanso / sono das aves, com o pescoço curvado para trás e a cabeça escondida sob um dos braços. O nome não poderia ser mais adequado - Mei long, «dragão com sono profundo». Mais uma vez as jazidas de Liaoning reservam-nos muitas surpresas - raros são os exemplos de animais que foram enterrados vivos, preservando comportamentos que são interessantes. Aliás, um esqueleto incompleto do troodontídeo Sinornithoides tinha sido descoberto em sedimentos do Cretácico final da Mongólia numa pose semelhante, embora a preservação em três dimensões seja mais espectacular.  

http://www.nature.com/cgi-taf/DynaPage.taf?file=/nature/journal/v431/n7010/abs/nature02898_fs.html

 

Este exemplar, apesar das reduzidas dimensões, representa provavelmente um não adulto (não ocorre fusão neurocentral), sentado sobre os membros posteriores longos e dobrados. Os membros anteriores estão dobrados sob o corpo e o pescoço apresenta uma curvatura para a esquerda, de forma que a cabeça pequena está entre o cotovelo esquerdo e o corpo. A preservação desta postura, típica da das aves modernas quando descansam ou dormem, só terá sido possível se o animal tivesse sido rapidamente subterrado no próprio instante da morte. Podem ser sugeridos dois cenários: a exposição a um gás vulcânico tóxico terá morto o animal durante o sono. Ou o teropode (um troodontídeo, que Xu e Norell colocam, com Sinovenator, na base de Troodontidae, com os troodontídeos e dromaeossaurídeos como deinonycossaurios) poderia estar a dormir numa toca. Em qualquer dos casos, o esqueleto terá sido rapidamente coberto por cinzas e o animal terá tido uma «morte tranquila».

Holótipo de Mei long. Esqueleto em vistas dorsal (a), ventral (b) e dorsolateral (c); esquema do esqueleto em vista dorsolateral (d) (escala: 2 cm). Segundo Xu e Norell (2004).

http://pharyngula.org/index/science/2004/10/

 

http://www.amnh.org/exhibitions/dinosaurs/

gallery/diorama.php?image=8&p=tyrant&a=dilong#cap

 

A análise cladística realizada por Xu e Norell (2004) coloca Mei long com um troodontídeo basal. http://www.nature.com/nature/journal/v431/n7010/extref/nature02898-s1.doc

 

As posturas dos vertebrados actuais quando dormem são muito variadas, mas só as aves e um pequeno grupo de mamíferos descansa sobre os membros dobrados. E só as aves dormem com o pescoço, longo e flexível, curvado para trás, escondendo a cabeça entre as asas. Esta postura das aves (e de alguns mamíferos) relaciona-se com a conservação do calor, já que escondendo a cabeça entre as asas com penas favorece a manutenção do calor. Segundo Xu e Norell (2004), a possibilidade de podermos inferir este tipo de comportamento para pequenos troodontídeos constitui mais um argumento para sugerir que estes teropodes exibiam alguma forma de comportamento térmico. Por outras palavras, no espectro da ectotermia - endotermia situavam-se mais para o lado desta última fisiologia. A ocorrência de penas noutros taxa troodontídeos reforça estas inferências.

A pequena dimensão deste (Mei long tem apenas 53 cm de comprimento total) e de outros troodontídeos adultos, alguns descobertos com integumento constituído por diversos tipos de penas, suporta a ideia de que a miniaturazação terá sido crucial para o desenvolvimento do vôo e também para o aparecimento de outras características tipicamente avianas.

O exemplar de Mei long provem das camadas Lujiatun, da Formação Yixian, um conglomerado tufoso, em que as condições para a preservação do integumento não eram favoráveis e por isso as eventuais coberturas penáceas não ficaram preservadas.  

http://www.nature.com/news/2004/041011/full/041011-7.html