PARA SABER MAIS ...

MEMBRANA INTERDIGITAL EM PEGADAS DE DINOSSÁURIOS NÃO AVIANOS ?

 "Existe apenas um critério definitivo para confirmar se estruturas entre dígitos" 

(em pegadas atribuídas a dinossáurios não avianos) "representam uma membrana interdigital real 

- a ocorrência de impressões de escamas, o que nunca foi observado até ao momento". 

Olsen e Rainforth 2003

Thulborn (1990) referiu que o "termo "membrana interdigital" conduz, por vezes, a alguma confusão. Estritamente falando, este termo anatómico refere-se a qualquer lâmina de carne ligando as bases de dois dígitos adjacentes - até a pequena membrana entre os dígitos da mão humana. Neste sentido estrito, vestígios de membranas interdigitais são vulgares nas pegadas de dinossáurios. Contudo, e quase sempre, o termo é aplicado para se referir a uma grande membrana, como a que ocorre entre os dígitos de um pato".

Brown et al. (1992) propuseram uma terminologia mais precisa para pegadas com membrana de espécies actuais, dividindo a membrana em proximal, mesial e distal. Thulborn (1990) refere apenas dois exemplos de membrana distal em pegadas de dinossáurios: em Otouphepus magnificus, um icnotaxon instituído por Lull (1953) para pegadas de teropodes do Jurássico inferior de Massachussetts; e Talmontopus tersi, que Lapparent e Montenat (1967) sugeriram representar um ornitopode dos inícios do Jurássico inferior da região de La Rochelle, França, e que vários investigadores (Thulborn 1990; Lockley e Meyer 1999) propuseram ter origem teropode. Lockley, em comunicação pessoal a King e Benton (1996) "não confirma a presença de membrana em nenhum destes taxa".

Otouphepus magnificus, correspondendo ao pé esquerdo de um teropode do Jurássico inferior. Segundo Thulborn (1990). A impressão prolongando entre os dígitos e em torno da margem da pegada do pé foi mais tarde demonstrada como representando um artefacto" (modificado de Lull 1953).   Talmontopus tersi (pegada direita), uma icnoespécie que Lapparent e Montenat (1967) propuseram para o Jurássico inferior de Le Veillon, França, sugerindo uma afinidade ornitopode, em parte porque exibiria vestígios nítidos de membrana interdigital, especialmente entre os dígitos III e IV. Thulborn (1990), apesar de não concordar com um autor ornitopode, sugere que a presença de uma membrana interdigital relativamente distal é real (retirado de Lapparent e Montenat 1967).   Fotografia de um dos exemplares Talmontopus tersi, correspondendo à impressão do pé direito, com cerca de 27 cm de comprimento (retirado de Thulborn 1990).

 

Ellenberger (1974) descreveu pequenas pegadas tridáctilas associadas por vezes a pegadas de mãos funcionalmente tetradáctilas, oriundas do Jurássico inferior do Grupo Stormberg, África do Sul, que incluiu em Masitisisauropus palmipes. Como o nome específico sugere, Ellenberger (1974) referiu que as pegadas tridáctilas podem ser diagnosticadas por apresentarem uma membrana, "que se prolonga lateralmente em triângulo equilátero. Salientou ainda que tanto nas impressões dos pés como nas das mãos surgem associadas impressões de pequenos filamentos, interpretados como representando um integumento penáceo, relacionando a amostra com um autor teropode. Apoiando-nos apenas na descrição, diagnose e esquemas publicados por Ellenberger (1974), sugerimos que esta amostra pode ser incluída em Anomoepus, icnogénero atribuído a dinossáurios ornistiquianos.

Alguns dos exemplares de pés Masitisisauropus palmipes ilustrados por Ellenberger (1974), de onde foi modificada a figura (escala: 5 cm).

 

Para aves como gansos, relativamente pesadas, pegadas deixadas mesmo que em substratos não brandos, revelam muitas vezes uma membrana distinta, bem como impressões dos unguais. Estas pegadas apresentam geralmente uma membrana proximal bem nítida entre os dígitos III e IV e uma membrana mais reduzida entre os dígitos II e III. Esta membrana interdigital produz um molde elevado, com uma estrutura côncava entre os dígitos, porque a membrana é forçada a subir entre os dígitos, quando estes contactam e se enterram no substrato. Estruturas idênticas são desconhecidas para pegadas de dinossáurios não avianos (King e Benton 1996).

 

Holótipo da icnoespécie Uhangrichnus chuni, do Cretácico final da Coreia do Sul (Formação Uhangri, Bacia de Hwangsan), mostrando uma nítida evidência de membrana entre os dígitos II e IV. A margem anterior e ambas as membranas interdigitais é ligeiramente côncava anteriormente. Tanto na morfologia como na dimensão, estas pegadas assemelham-se às de patos modernos (escala em cm) (retirado de Yang et al. 1997).

 

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