PARA SABER MAIS ...

PEGADAS DE ORNITOPODES COM MEMBRANA INTERDIGITAL ?

“Na realidade, não existem exemplos convincentes de 

pegadas de dinossáurios que mostrem evidência 

irresistível da presença de membranas interdigitais”.

Lockley e Meyer 1999

http://www.over-land.com/st_claytonlake.html

http://www.tornado.brevard.edu/reynoljh/ FTWeb/p1.html

http://geosciences.smsu.edu/Geology

/FieldTrips/GLG360/SpringBreak02/Default.htm

http://www.ucmp.berkeley.edu/mesozoic/ cretaceous/clayton.html

Uma das jazidas mais famosas em todo o mundo situa-se no nordeste do New Mexico, em sedimentos do final do Albiano  e é conhecida por Clayton Lake Park. Grande parte das mais das 400 pegadas, quase todas preservadas como epirrelevos côncavos, têm afinidade ornitopode, e muitas das pistas foram produzidas por indivíduos progredindo de forma quadrúpede. O vasto conjunto de pegadas parece ter sido produzido em substratos com grande variação de condições, o que explica a enorme variação de origem extramorfológica (Hunt e Lucas 1998). Segundo Lockley et al. (1992) e Lockley e Hunt (1995) estas pegadas podem ser atribuídas aos icnogéneros Caririchnium e Amblydactylus. As pegadas mais comuns são tridáctilas, com comprimento entre 30 e 50 cm, e com impressões de dígitos largos e robustos - têm origem ornitopodiana. 

http://www.wild4texas.com/ clayton.htm

http://seattlepi.nwsource.com/getaways/082798/dino27.html

“Muitas das pegadas são muito profundas, indicando condições húmidas do substrato. Nestas circunstâncias, o pé dos dinossáurios afundava-se no substrato bastante profundamente, ..., condições que explicam as «membranas interdigitais»” (relatadas por outros investigadores, como Gillette e Thomas 1985).” Elas são o resultado da erosão dos rebordos convexos do sedimento que se erguem para cima e anteriormente entre as impressões dos dígitos. São características extramorfológicas e não reflectem a anatomia do pé do seu produtor” (Lockley et al. 2000c).  “Ainda não se sabe se a longa impressão do calcanhar representa um exemplo raro, para ornitopodes, de impressão dos metatarsos ou se é o resultado de um “arrastamento dos dedos” num substrato brando” (Hunt e Lucas 1998).  

 

Gillette e Thomas (1985) identificaram pegadas tridáctilas alongadas como tendo sido produzidas por teropodes com membrana interdigital. Segundo Lockley e Hunt (1995), trata-se de pegadas de pés de ornitopodes, também com as impressões de mãos, preservadas em substrato muito brando e húmido e que podem ser incluídas na icnoespécie Caririchnium leonardii. As impressões das mãos foram fotografadas com pequenas moedas no seu interior.

http://www.ucmp.berkeley.edu/

mesozoic/ cretaceous/clayton.html

 

http://img.groundspeak.com/track/log/a8b13f20-4532-4683-8b00-96e901b77cf7.jpg

Esta jazida constitui um exemplo de deterioração significativa ao longo do tempo em que a superfície com pegadas tem estado exposta, especialmente na última década, em grande parte como consequência das litologias brandas em que as pegadas ficaram impressas e também devido às águas de escorrência. Quando o local foi originalmente descoberto, em 1982, podiam-se observar muitas pegadas preservadas como hiporrelevos convexos, hoje praticamente desaparecidos.

http://www.rvtreasure.com/images/Vacation%202006/IMG_5852.JPG

 

Algumas indicações aparentes de membrana interdigital em pegadas, atribuídas a ornitopodes, mas também a teropodes, são muitas vezes o resultado de erosão de superfícies curvas ou protuberantes que se desenvolvem entre as impressões dos dígitos, como consequência da deformação do substrato pela impressão do pé. Por outras palavras, "a grande maioria de eventuais vestígios de membrana são pseudo-impressões, são fenómenos de natureza preservacional" (Lockley e Meyer 1999). 

Opinião / interpretação distintas são apresentadas e argumentadas por vários investigadores da vizinha Espanha, sendo bem conhecidos exemplares de pegadas atribuídas a ornitopodes e a teropodes que, segundo eles, revelam nitidamente a impressão de uma membrana interdigital.

 

PARA SABER MAIS ...

PEGADAS COM MEMBRANA INTERDIGITAL (?) DO CRETÁCICO INFERIOR DE ESPANHA

 

Currie e Sarjeant (1979), numa análise de pegadas tridáctilas de Peace River Canyon, Canadá, do Cretácico inferior (Aptiano - Albiano) da Formação Gething, instituíram para o icnogénero Amblydactylus uma nova espécie, A. kortmeyeri. Na diagnose da nova icnoespécie, Currie e Sarjeant (1979) não  indicam a presença de membrana interdigital como característica. Esta surge na descrição do material holótipo, que apresenta "uma nítida impressão de uma membrana que ligava os dígitos II e IV e uma impressão indistinta produzida por uma membrana interdigital entre os dígitos II e III. As membranas interdigitais estavam ligadas às superfícies lateral e medial dos dígitos". Segundo estes investigadores, vários exemplares adicionais (parátipos) apresentam também evidência de membrana interdigital. Currie e Sarjeant, e posteriormente Currie (1983, 1995) atribuíram esta amostra a hadrossaurídeos, mesmo tendo em conta a idade relativamente antiga. Mas entre os argumentos para inferirem esta origem, nunca foi referida a presença de membrana entre os dígitos do pé. Posteriormente, Lockley et al. (2003, incluindo Currie) sugeriram, com base na idade, que Amblydactylus "pode (também) ter afinidade iguanodontídea".

Uma pegada isolada do Cretácico final de Alberta, Canadá, descrita por Langston (1960) foi considerada por Currie e Sarjeant (1979) como muito semelhante ao holótipo de Amblydactylus kortmeyeri. Thulborn (1990) salientou estes exemplares "parecem mostrar vestígios definitivos de membranas interdigitais".

Esquema da pegada do Cretácico final descrita por Langston (1960), atribuída a um hadrossaurídeo com membrana interdigital entre os dígitos II e IV (originalmente, inferida como correspondendo ao pé direito; e que Currie e Sarjeant 1979 inferiram, por comparação com a amostra do Cretácico inferior, como tendo sido produzida por um pé esquerdo) (escala: 50 cm) (retirado de Langston 1960).

Fotografia do holótipo e esquema de Amblyodactylus kortmeyeri (retirado de Currie e Sarjeant 1979).

Para além de Thulborn (1990), não conhecemos quaisquer outras referências à interpretação destas estruturas como correspondendo a membranas entre os dígitos. O próprio Currie (1983, 1995) nunca fez menção à preservação de membranas para a grande amostra do Cretácico inferior do Canadá, para "mais de 1700 pegadas documentadas", ... "50% das pistas e 90% das pegadas isoladas ... são atribuíveis a Amblydactylus" (Currie 1995). Currie (1995) e Lockley et al. (2003) sugeriram também que "é até possível que Caririchnium seja um sinónimo júnior de Amblydactylus"; mas, para a enorme amostra Caririchnium as únicas referências a eventuais membranas interdigitais ocorrem na jazida de Clayton Lake, e foram refutadas por vários investigadores, incluindo Lockley e Hunt (1995).

 

Recentemente, Reynolds (2005) referiu que entre a amostra de pegadas tridáctilas produzidas por bípedes encontrada na jazida de Mescal Range (?finais do Jurássico inferior - ? inícios do Jurássico médio), Formação Aztec Sandstone, para além dos icnotaxa Anchisauripus e Grallator, ocorre um morfotipo caracterizado pela simetria e elevada divergência dos dígitos laterais e "com as falanges interligadas por uma almofada interdigital comum". Embora as duas primeiras características sugiram a presença de um icnotipo de origem ornitopode, Reynolds (2005) atribuiu estas pegadas, sem nome formal, a teropodes. Não foram fornecidos esquemas, ilustrações ou dados suplementares.

 

Seillacher (1997) interpretou as supostas membranas interdigitais como uma «onda de pressão» ("pressure wave") de lodo na parte anterior da pegada, induzida pelo movimento do pé, quer ao assentar, quer ao erguer-se para iniciar o ciclo seguinte. O único critério válido para demonstrar que uma característica deste tipo representa uma membrana interdigital é a presença de impressões de escamas (ou do integumento) do autor, o que, até ao momento, nunca foi observado (Olsen e Rainforth 2003).

 

PARA SABER MAIS ...

"PEGADAS  FANTASMA"