PARA SABER MAIS ...

PEGADAS SUBDIGITÍGRADAS DE TEROPODES 

 

E quando dizemos que os teropodes caminhavam "sobre os dígitos" (=com postura digitígrada) estamos a afirmar que os metatarsos não contactavam com o solo, excepto na articulação metatarsofalangeal. Leonardi (1987) referiu-se a pegadas subdigitígradas como reflectindo a condição em que apenas a parte distal aparece na impressão.

http://www.ncseweb.org/resources/articles/3546_dinosaur_and_quothumanquot_6_5_2001.asp

Pegada tridáctila subdigitígrada produzida por um teropode: Cretácico inferior da jazida de Paluxy River, Texas.

É natural que este tipo de pegadas tenha sido produzido por animais deslocando-se a velocidade elevada (Thulborn 1990), mas as condições de formação e preservação também podem conduzir a este tipo de pegadas. Mas icnitos subdigitígrados atribuídos a teropodes por Lockley et al. (1998) e descritos como Carmelopodus untermannorum são sugeridos por estes investigadores como se tendo originado directamente a partir de um tipo particular de pé que estava "morfologicamente predisposto a produzir estas pegadas características" (Gierlinski e Pienkowski 1999).

 

Se incluirmos as falanges unguais, apesar do maior número de falanges (5) no dígito exterior IV do que no dígito interior II (3), que se observa tanto em teropodes extintos como na maioria das grandes aves terrestres modernas, os comprimentos somados destes dígitos são quase iguais. Mas esta simetria não é observada na maioria das pegadas bem preservadas atribuídas a teropodes. É que, normalmente, a região proximal do dígito IV (articulação entre a falange 1 e a extremidade distal do metatarso IV) corresponde praticamente à extremidade posterior da própria pegada, sendo mais longa do que a parte do dígito III que assentava no solo (falanges 2 - 4); e só a parte distal do dígito II (falanges 2 - 3) tocava no solo, conduzindo geralmente à produção de uma indentição ao longo da margem interna da pegada. Para produzir pegadas com esta morfologia, as articulações metatarsofalangeais dos dígitos II e III teriam de estar elevadas acima do solo. Isto significa que, ao contrário dos ornitopodes, os três dígitos funcionais dos teropodes não penetram igualmente no substrato, mas mostram uma assinalável divergência entre o dígito IV e os dígitos II - III (Farlow et al. 2000). Esta é outra característica consistente das pegadas dos teropodes, embora a sua anatomia esquelética seja ainda mal conhecida para sugerir uma base morfológica, constituindo mais um dos exemplos a que Carrano e Wilson (2001) chamam de «iluminantes recíprocos». Daqui resulta a assimetria da porção proximal (posterior) das pegadas de grandes e pequenos teropodes. Assim, é provável que o comprimento total da pegada T, incluindo a impressão metatarsofangeal, fosse superior a 40 cm, o que implicaria que a relação comprimento / largura fosse superior a 1, como também é típico das pegadas destes predadores.

 

Se as impressões destes dígitos correspondessem efectivamente ao comprimento da parte que tocou no substrato, poderíamos inferir, seguindo Farlow e Chapman (1997) que as suas proporções de aproximavam bastante das que ocorrem nos teropodes coefolisídeos. (IV / III = 0,96 e II / III = 0,66). Mas Coelophysidae, aparentemente, extinguiu-se no final do Jurássico inferior; e o próprio Farlow (2001) sugeriu que este método osteométrico, para discriminar entre pegadas de grupos de teropodes, parece ser pouco seguro e eficaz.  

 

A presença de uma única impressão num nível em que ocorrem pelo menos 8 indivíduos herbívoros (provavelmente em número superior, tendo em conta a descoberta recente de outras impressões de dinossáurios herbívoros neste mesmo nível, a cerca de 160 m, no que chamamos "jazida ocidental da praia Santa") conduz à sugestão de que os teropodes seriam um componente reduzido nesta icnofauna, embora as suas dimensões, muito semelhantes à maioria dos iguanodontianos, fossem compatíveis com um ataque bem sucedido de um animal que predasse solitariamente.  

 

Pegadas subdigitígradas também podem estar relacionadas com o comportamento e ambiente de progressão. Vários exemplos descritos recentemente sugerem que em alguns casos estes exemplares podem representar animais que se deslocavam em águas relativamente profundas, deixando apenas impressas as zonas distais dos dígitos funcionais.

http://www.livescience.com/animalworld/051017_swimming_dino.html