PARA SABER MAIS ...

MACIÇO CALCÁRIO ESTREMENHO - ENQUADRAMENTO GEOLÓGICO E ACTIVIDADE EXTRACTIVA

“Estamos perante uma situação paradigmática da necessidade

 e premência para se alcançarem soluções que permitam compatibilizar

 de algum modo a actividade extractiva com a preservação do património”.

Carvalho e Falé 2006

No Maciço Calcário Estremenho, com a maior parte da sua área protegida legalmente pelo Parque Natural das Serras d’Aire e Candeeiros (PNSAC), ocorre uma intensa actividade extractiva, especialmente de calcários para o fabrico de cal e de rochas ornamentais, em que se incluiem os calcários extraídos em blocos e os utilizados para calçada. Para estes últimos, a produção aproxima-se das 700 000 toneladas / ano, correspondendo a cerca de 50 milhões de Euros. “Estes valores remetem para a importância socio-económica desta actividade a nível regional e mesmo nacional pois, trata-se de uma actividade que cataliza um imenso rol de outras actividades e serviços a jusante, conduzindo, portanto, ao desenvolvimento económico e social” (Carvalho e Falé 2006).

 

Se a importância económica da exploração dos calcários é enorme, não menos significativa deve ser o objectivo (? primordial) do PNSAC: compatibilizar esta exploração com a conservação do património e com a qualidade de vida.

 

No Maciço Calcário Estremenho ocorre a maior extensão de afloramentos de rochas carbonatadas do Jurássico médio de Portugal, apesar dos calcários se distribuirem, em termos de idade, do Jurássico inferior ao Jurássico superior. Mas, “realçam-se os do Jurássico médio pela extensão que ocupam e por, em geral, apresentarem cores claras e elevado grau de pureza. São o principal alvo de exploração de matéria-prima para o fabrico de cal e de rochas ornamentais. os principais núcleos de exploração verificam-se em Pé da Pedreira, Codaçal, Moleanos, Salgueiras (Arrimal), Fátima e Cabeça Veada” (Carvalho e Falé 2006).

 

“A área de Pé da Pedreira integra-se no bordo SW do Planalto de Santo António, o qual define uma grande estrutura monoclinal inclinada suavemente para Sul. Nesta área afloram essencialmente calcários de cores claras e elevado grau de pureza pertencentes à unidade Calcários de Pé da Pedreira, a qual corresponde a uma unidade lenticular da Formação Calcários Micríticos de Serra de Aire do Batoniano (Jurássico médio). Estão limitados a Sul e Oeste por calcários de cores escuras e impuros do Jurássico superior, em contacto por falha. Tendo em vista a sua caracterização geo-económica, definiram-se 3 subunidades nesta área: Vidraços de Topo, Calcários Ornamentais e Vidraços de Base. São alvo de exploração industrial para diferentes fins: calcários ornamentais (blocos e calçada), cal, rações para animais e britas (“touvenant”)” (Carvalho e Falé 2006).

2 - pedreira da Lusical ; 3 - pedreira Relvicreme (blocos); 4 - pedreira de Vale de Meios (calçada) ; 5 - gruta do Algar da Pena (retirado de Carvalho e Falé 2006).

 

“Corte geológico transversal na Área de Pé da Pedreira” (retirado de Carvalho e Falé 2006).

 

O calcário extraído na pedreira de Vale de Meios provem da unidade Vidraços de Base de Pé da Pedreira - “calcários micríticos, mais ou menos bioclásticos finos, ..., que ocorrem em bancadas de pequena espessura (0,20 a 0,6 m)” (Carvalho e Falé 2006). Segundo estes investigadores, a “produção actual ronda as 150 000 toneladas / ano, a que corresponde um valor aproximado de 6 milhões de Euros. As empresas produtoras são de muito pequena dimensão, de cariz familiar”.

 

Segundo Carvalho e Falé (2006), a produção de calcários ornamentais na região de Pé da Pedreira, sempre crescente, ronda as 300 000 toneladas / ano, “o que deverá corresponder a um valor comercial na ordem dos 20 milhões de Euros”.

Os calcários que ocorrem na pedreira da empresa Relvicreme Lda são essencialmente “biocalciclásticos oolíticos de cimento sparítico. Ocorrem em bancadas maciças, de espessura métrica na ordem dos 4 m, pouco fracturadas e dispostas de modo sub horizontal” (Carvalho e Falé 2006). Conforme o grão, mais fino ou mais grosseiro, podem-se distinguir variedades, sendo as mais conhecidas o «moca creme» e o «relvinha», utlizados para revestimentos interiores e para mobiliário.