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PARA SABER MAIS ... |
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Charig
(1972, 1976) terá sido o primeiro a analisar a origem dos dinossáurios
em termos de sucesso evolucionário. Segundo este investigador, o
desenvolvimento de uma postura erecta terá fornecido aos dinossáurios
uma vantagem competitiva, constituindo uma novidade evolucionária que
permitiu o seu rápido domínio dos habitats terrestres e a consequente
extinção de muitos dos predadores contemporâneos. Para
Bakker (1975) o sucesso dos dinossáurios e a sua superior competitividade
residiu fundamentalmente na sua capacidade de gerar calor interno, contra
os supostos contemporâneos de «sangue frio», que acabaram por se
extinguir no final do Triássico. Benton
(1983, 1984, 1990) e Olsen et al. (1987) sugeriram que o registo fóssil
da última parte do Triássico revela, não um acontecimento de extinção,
mas dois. O primeiro terá sido mais extremo, conduzindo à eliminação
de muitos arcossauromorfos, sinápsidos e vários grupos de arcossaurios
predadores. Esta extinção terá sido a mais relevante para o posterior
domínio por parte dos dinossáurios, e também afectou numa grande medida
a vegetação terrestre. Segundo Benton, a radiação inicial dos dinossáurios
só ocorreu depois desta primeira extinção. A explicação mais razoável
será: num vácuo ecológico resultante desta extinção, os dinossáurios
realizaram uma substituição oportunística, sem necessidade de competição.
A extinção abrupta da chamada flora de Dicroidium,
provavelmente relacionada com alterações climáticas, levaria ao
desaparecimento de muitos herbívoros e, consequentemente, aos predadores
que deles dependiam. Para Olsen e colegas, a origem dessa primeira extinção
estaria ligada a um fenómeno de origem extra-terrestre, como o impacto de
um meteorito e/ou asteróide. |
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Segundo Sereno (1999), os cenários tradicionais para o domínio dos dinossáurios que sugerem uma vantagem competitiva apresentam a dificuldade de relacionar a lacuna temporal substancial (15 milhões de anos ou mais) entre a radiação inicial dos dinossáurios e o seu domínio global subsequente durante o Triássico final e o Jurássico inicial". Este investigador sugere que a "hipótese mais plausível deve-se procurar na substituição oportunística de diversos grupos de tetrapodes terrestres (sinápsidos não mamalianos, arcossáurios basais e rincossaurios) por dinossáurios". "Este padrão é muito semelhante à substituição dos dinossáurios não avianos por mamíferos terianos que ocorreu no final do Cretácico". Sereno (1999) sugere que a radiação pós-Triássica dos dinossáurios "constitui um preenchimento oportunístico de um ecoespaço vazio depois de uma perturbação física a uma escala global". Daí ter referido que os dinossáurios se podem considerar "vitoriosos por acidente". http://cas.bellarmine.edu/tietjen/Ecology/evolution_of_dinosaurs.htm |
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Os
trabalhos mais recentes de Olsen e da sua equipa sugerem que a última
extinção que assinala o fim do Triássico terá sido a mais catastrófica,
mantendo uma origem extrínseca para este acontecimento de mortalidade em
massa. Estes trabalhos mais recentes fundamentaram-se sobretudo no padrão
temporal brusco e sincrónico de substituição de icnotaxa de tetrapodes. |
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Tal como para as outras «quatro grandes extinções» que têm sido geralmente identificadas na história da vida na Terra, também têm sido assinaladas como eventuais causas da extinção do limite Triássico - Jurássico, para além de um impacto de um bólide de origem extra-terrestre, uma enorme libertação de hidrato de metano e/ou grandes erupções vulcânicas. Muitos investigadores referem que este acontecimento de mortalidade em massa afectou, sincronicamente, tanto os biota do domínio marinho como do terrestre. |
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Mas,
e só para dar um de entre múltiplos exemplos, Pancost et al. (2005)
apresentaram vários argumentos para sugerirem que também a grande
extinção que assinala a passagem do Pérmico para o Triássico terá
ocorrido, não como consequência de um único acontecimento abrupto, mas
ao longo de várias fases. |
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| Gráfico representando as "cinco grandes extinções", segundo Raup e Sepkoski (1984). |
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Mais
recentemente, Lucas e Tanner (2004, 2005) apresentaram alguns argumentos contra
"a suposta extinção do final do Triássico". Segundo estes
investigadores, "o aparente grau súbito desta extinção deve-se em
grande medida a um artefacto de pobre resolução estratrigráfica".
"Pelo contrário, o Triássico final foi um intervalo de tempo de
elevadas taxas de extinção punctuadas por pelo menos quatro
acontecimentos discretos de extinção: Noriano médio, Noriano final, fim
do Noriano e fim do Raetiano". "Muitos
dos taxa que supostamente se extinguiram no final do Triássico
desapareceram realmente no início do Raetiano e extinções posteriores
ocorreram, passo a passo, durante o Raetiano. As supostas extinções súbitas
de amonoides, bivalves, braquiópodes e conodontes, de acordo com dados
estratigráficos minuciosos, ocorreram prolongadamente no tempo e não
existe qualquer registo de uma enorme extinção dos gastropodes marinhos
no final do Triássico. De facto, apenas os radiolários parecem ser o único
grupo marinho a exibir um turn-over súbito no final do Triássico, mas
ainda está por provar conclusivamente que esta extinção tenha tido uma
extensão global. A extinção de espécies de plantas megafósseis no
final do Triássico parece ter sido sobretudo regional. A aparente extinção
palinológica dramática no Super Grupo Newark é menos súbita do que em
secções Tetianas, e pode realmente ter constituído um acontecimento
local que não corresponde ao limite Triássico - Jurássico. As extinções
de tetrapodes terrestres são difíceis de documentar porque o seu registo
fóssil é pobre para o intervalo Raetiano - Hetangiano. As
pegadas de tetrapodes não documentam uma extinção em massa no final do
Triássico, apenas um turn-over modesto.
Assim, uma leitura cuidadosa da distribuição estratigráfica dos fósseis
ao longo do limite Triássico - Jurássico indica um turn-over evolucionário
prolongado e complexo, incluindo um pronunciado declínio de diversidade,
com duração detectável, mas não um único acontecimento de extinção
em massa" (Lucas e Tanner 2005). |
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PARA SABER MAIS ... |
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Shibata
et al. (2005) concluíram que a fauna do Triássico final, uma fauna
reptilina muito diversificada, se alterou para uma fauna com uma baixa
diversidade e dominada por dinossáurios durante o Jurássico inicial.
"As pirâmides ecológicas baseadas nas produtividades em cada nível
trófico mostram que o nicho ecológico para os vertebrados herbívoros
estava essencialmente vazio nos ecossistemas do Jurássico inicial".
"Assim,
os índices
de baixa diversidade e a
não presença de vertebrados herbívoros indicam que ocorria um
ecossistema física e quimicamente stressado durante o Jurássico
inicial". |